Operação de comando israelita

LÍBANO DENUNCIA VIOLAÇÃO DE CESSAR-FOGO
siniora060819O Líbano ameaçou suspender o envio de tropas para a região de fronteira com Israel se ocorrer uma nova violação flagrante do cessar-fogo semelhante à de hoje de madrugada em Boudai, perto de Baalbek e da fronteira com a Síria, e que envolveu um comando israelita. O comando foi repelido por combatentes do Hezbollah e teve de ser resgatado de helicóptero, sofrendo um morto e dois feridos. Israel admitiu a operação e as baixas, mas disse tratar-se de uma resposta às acções de rearmamento do Hezbollah.

A operação teria como objectivo capturar o sheik Mohammad Yazbeck, tesoureiro nacional do Hezbollah, que se encontrava na região. O comando, que teria umas 30 pessoas, de acordo com fontes do Hezbollah, teria sido deixado nas montanhas na sexta-feira, junto com veículos militares de transporte (humvee) pintados com as cores do exército libanês. Os israelitas também tinham fardas libanesas. Este disfarce permitiu-lhes circular sem problemas, até que, perto do alvo, foram interceptados por uma patrulha do Hezbollah. Falaram com a patrulha em árabe, mas o sotaque tê-los-á denunciado.

Seguiu-se um combate que durou várias horas. Cercados pelo Hezbollah, os israelitas tiveram de pedir o resgate de helicóptero e bombardeamentos aéreos de cobertura. Todo o comando e os carros foram resgatados.

O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, denunciou a operação como uma flagrante violação do cessar-fogo e entrou em contacto com os responsáveis da ONU no país.  "Se o Líbano tivesse feito um acto semelhante, não haveria já uma reunião do Conselho de Segurança para impor sanções?", perguntou o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri.

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita disse que o raid foi uma resposta a supostas violações do cessar-fogo cometidas pelo Hezbollah. "A resolução de cessar-fogo é explícita em dizer que o Hezbollah não pode usar o cessar-fogo para rearmar-se, e era isso que estava a acontecer."