"Novos empregos" de Sócrates são no estrangeiro

12 de setembro 2008 - 13:45
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Um em cada quatro dos empregos O primeiro-ministro anunciou no mês passado em Santo Tirso que o governo já tinha criado 133 mil postos de trabalho. Logo na altura se disse que esses números incluíam o trimestre anterior à tomada de posse do governo.  Agora sabe-se que um em cada quatro destes "novos empregos" está no estrangeiro.

 

Para cumprir a promessa eleitoral de criar 150 mil empregos, José Sócrates não teve problemas em incluir o último trimestre do governo de Santana Lopes e Paulo Portas nas contas do seu mandato, chegando assim ao número de 133 mil novos empregos desde o início de 2005.



Mas a edição desta sexta-feira do Jornal de Negócios mostra que os dados apresentados por Sócrates não são inteiramente correctos, já que conta com empregos criados fora do país. É verdade que há hoje mais 133,7 mil residentes com emprego do que em 2005, mas 36 mil arranjaram o emprego fora de Portugal, ou seja, apenas 97,8 mil empregos foram criados no nosso país nos últimos três anos, e nem todos durante mandato da maioria absoluta do PS.



O número de residentes em Portugal a trabalhar no estrangeiro mais do que duplicou nestes 3 anos. No fim de Junho deste ano, eram 63,3 mil, o valor mais levado desde 1998.



Mas a forma como Sócrates apresenta os números do emprego também pode ser vista com outros olhos. É o que começou este ano a fazer o Instituto Nacional de Estatística, ajustando os valores do emprego na óptica das contas nacionais. Ou seja, descontando os residentes que trabalham fora do país, os efeitos sazonais e de pessoal diplomático ou forças militares em missão no estrangeiro.



Feitas as contas assim, o resultado dos novos empregos criados desde o primeir trimestre de 2005 dá 71,5 mil. Menos de metade do que é preciso para José Sócrates cumprir a sua maior promessa eleitoral até às eleições de 2009.