Ministra continua a recusar tratamento igual para todos

11 de abril 2008 - 12:56
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Ministra deu o dito por não dito na "segunda oportunidade" prometida aos professores

Nas longas reuniões dos últimos dias entre Ministério da Educação e sindicatos, Maria de Lurdes Rodrigues não aceita definir critérios iguais para a avaliação em todas as escolas. E a "segunda oportunidade" anunciada pela ministra, para os professores classificados com "regular" ou "insuficiente", afinal não existe. Entretanto, as críticas dos deputados do PS  sobem de tom e há mais escolas a decidir suspender a sua participação no processo de avaliação.

 

No segundo dia de negociações, não houve acordo quanto à execução da avaliação neste ano lectivo para os professores contratados e em ano de progressão. Os sindicatos querem critérios iguais para todas as escolas avançarem, propondo que as classificações reflictam apenas a assiduidade e a auto-avaliação e não aceitando que cada escola defina o seu próprio critério de avaliação. Incluir mais items na avaliação "não faz sentido" para a Fenprof, "porque pura e simplesmente não foram definidos nos objectivos prévios, como prevê a avaliação", afirmou Mário Nogueira à saída da reunião.



Para o ministério, as diferenças nos critérios da avaliação têm em conta as diferentes realidades escolares: "As escolas têm grandes diferenças. É muito errado assumir políticas que não tenham em conta o ponto de partida desigual. O nosso esforço é fazer com que as escolas que têm dificuldades ou problemas os ultrapassem para trabalhar tão bem como as restantes", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.



Outros pontos em negociação entre sindicatos e ministério é a participação dos primeiros no acompanhamento processo de avaliação e as consequências para os professores contratados do resultado da avaliação feita este ano. A ministra começou por dizer que o resultado de "regular" ou "insuficiente" na primeira avaliação não traria consequências para o professor, mas ontem deu sinais de voltar atrás com essa ideia.



As vozes contrárias a este processo chegaram ao grupo parlamentar do PS. Na última reunião, vários deputados criticaram a falta de tempo para avançar com o processo nas escolas. "Muito do cansaço e descontentamento que existe entre os professores não deriva da sala de aulas, mas das inúmeras reuniões de interpretação de muita legislação que vai saindo", disse o deputado João Bernardo. "É necessário coordenar o processo de modo a que a definição de critérios não fique ao arbítrio das escolas", acrescentou o deputado.



Opinião idêntica tem a deputada Odete João, que critica o timing da avaliação dos professores: "Todo o sistema educativa devia ser monitorizado e devia ter-se começado o processo pela avaliação de desempenho da escola - a sua adequação ao curricula, a integração de alunos. A avaliação vinha depois, integrada no todo", disse a deputada aos seus pares.



Entretanto, os professores da Escola Secundária S. Pedro, em Vila Real, decidiram "suspender a sua

participação em toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação do desempenho à luz do novo Modelo de Avaliação do Desempenho". Os professores entendem que "enquanto ferramenta central e sensível da vida escolar, a avaliação de desempenho não é compatível com traduções medíocres de paradigmas importados e anacrónicos" e defendem "a necessidade de se instituir nas escolas um modelo de avaliação do desempenho dos professores que seja capaz de implementar, de forma séria, diferenciações qualitativas entre as práticas docentes e de promover, verdadeiramente, o sucesso educativo, sem deixar margem para arbitrariedades, desconfianças, incertezas ou propostas minimalistas de simplificação incerta e vazia de conteúdo, sustentando-se, ao invés, numa formatação rigorosa, credibilizada, justa e exequível".