O grupo privado José de Mello Saúde vai gerir o novo hospital de Braga, pelo menos durante 10 anos, e a sua manutenção durante 30 anos.
Entretanto, o deputado João Semedo do BE entregou nesta Terça feira um requerimento ao governo, questionando os motivos invocados pela directora clínica e por uma vogal do conselho de administração do Hospital de S. Marcos, actual hospital de Braga, para pedirem a demissão e também porque não foram aceites esses pedidos.
O primeiro ministro esteve no Domingo em Braga, onde anunciou o início da construção do novo Hospital em Janeiro próximo e a conclusão em 2011. Sócrates foi acompanhado pela ministra da Saúde, Ana Jorge, e o anúncio foi feito no acto de assinatura do contrato de construção, manutenção e gestão do novo hospital com o consórcio "Escala Braga", ligado ao grupo José de Mello Saúde.
Por este contrato, que necessita ainda de visto do Tribunal de Contas, o valor global da parceria público-privada é avaliado em 794,5 milhões de euros e o consórcio ligado ao grupo José de Mello Saúde garante a construção do hospital, a sua manutenção durante 30 anos e a gestão durante 10 anos. Um "compromisso de longo prazo", considerou o grupo José de Mello Saúde representado no acto por Salvador de Mello, presidente do seu conselho de administração.
Soube-se entretanto, por declarações do deputado do PS Ricardo Gonçalves à imprensa local do Minho, que a directora clínica e uma vogal do conselho de administração do Hospital de São Marcos, o actual Hospital de Braga, terão pedido a demissão e que esta não terá sido aceite.
O deputado João Semedo do Bloco de Esquerda, considerando que este hospital atravessa um período "particularmente complexo" devido à transferência da gestão para o grupo José de Mello, e que esses pedidos " não podem deixar de fragilizar e instabilizar o CA e a própria comunidade hospitalar, num momento em que mais necessário seria a existência de um Conselho de Administração a funcionar em pleno e de forma coesa", questionou o governo, através da ministra da Saúde, com três perguntas:
"- Quais os motivos invocados pela Directora Clínica e pela Vogal Executiva do CA do Hospital de S. Marcos para pedirem a demissão dos respectivos cargos?
- Por que não foram aceites aqueles pedidos de demissão?
- Considera o Governo que o actual CA do Hospital de S. Marcos ainda reúne as condições necessárias para assegurar o processo de transferência para a futura sociedade gestora?"