Mário Machado apelou hoje à compra legal de armas pelos "nacionalistas" dado que estes serão "o último baluarte" numa iminente "guerra racial e civil" em Portugal, como a que se assistiu em Paris. As declarações foram feitas em pleno Tribunal de Monsanto, no julgamento que leva 36 skinheads ao banco dos réus por crimes de discriminação racial, sequestros, ofensas corporais e posse ilegal de armas. Machado frisou também que não é racista para logo depois dizer que "há a propensão da raça negra para o crime".
O líder nacionalista Mário Machado, um dos 36 arguidos a serem julgados por discriminação racial, assegurou hoje em tribunal que "nunca se considerou racista" e que "não tem qualquer ódio primário à raça negra" ou a outras. O arguido admitiu, porém, ter "forte convicção" de que "há a propensão da raça negra para o crime", alegando que isso é "visível" na própria cadeia em que está preso, onde "só cerca de 25 por cento" dos detidos são brancos.
Em relação aos conteúdos do site que administrou, onde apareciam fotos de um negro a ser espancado por um skinhead, Mário Machado diz que se arrepende: "Arrependo-me de muito do que fiz há um ano. Aprendemos com os erros e hoje tenho outra maturidade. Hoje, esses artigos e fotos não estariam nem um minuto online".
"Não há problemas que se resolvam com a violência", disse o arguido, justificando que os simpatizantes do movimento hammerskin têm sido incentivados a colar cartazes, a realizar conferências e a "fazer o jogo da democracia", porque um dos objectivos é obter representação parlamentar, através de Pinto Coelho, dirigente do Partido Nacional Renovador (PNR).
Mário Machado defendeu, porém, que os nacionalistas "devem comprar armas", por meios legais, invocando o "direito de auto-defesa" e serem o "último baluarte", pois a qualquer momento pode surgir uma "guerra racial e civil" em Portugal, como a que se assistiu em Paris.
O julgamento dos 36 arguidos, acusados e pronunciados pelo crime de discriminação racial e outras infracções criminais, como agressões e posse ilegal de armas, prossegue quinta-feira à tarde.
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