Francisco Louçã reagiu às acusações de Sòcrates de "oportunismo político" da oposição no apoio à luta dos professores. "O que disse o primeiro-ministro é próprio de alguém que está aflito e que recorre às acusações para disparar em todas as direcções", afirmou o deputado bloquista, que defende ainda que a ministra da Educação deve "dar lugar a quem quiser negociar" com os docentes.
"A dificuldade do primeiro-ministro é muito patente. O Governo está a sentir que está a perder na sociedade a maioria absoluta que conseguiu há quatro anos", acrescentou, salientando a "incapacidade" de resposta do executivo socialista à manifestação dos professores.
No debate parlamentar de urgência sobre a avaliação dos professores - uma iniciativa do Bloco marcada para logo após o Orçamento de Estado, no início de Dezembro - "vamos querer discutir os resultados da manifestação", disse Louçã. "A ministra tem dificuldade em perceber a resposta dos professores. Não é capaz de corrigir nenhum problema", acrescentou o deputado bloquista, defendendo que já é tempo de Maria de Lurdes Rodrigues "dar lugar a quem quiser negociar" com os docentes.
Louçã lembrou que "na outra manifestação dos professores, em Março, a resposta do Governo foi dada uma semana depois num comício com a participação da ministra da Educação, agora a resposta é dada numa reunião interna", quando esta foi a "maior manifestação desde há quatro anos com a maior presença de militantes e votantes no PS contra o Governo".
Falando no encerramento das jornadas autárquicas do Bloco/Beja, Francisco Louçã apelou ainda a uma “intervenção de urgência” para acabar com o atraso da repercussão da descida da taxa de juro internacional na conta das famílias endividadas pelo crédito à habitação.
“Os bancos atrasam a repercussão da baixa dos juros sobre os créditos à habitação de modo a ganharem com esta diferença de tempo” afirmou o deputado do Bloco no encontro que reuniu autarcas e activistas do Bloco em Castro Verde. Só uma “intervenção de urgência” do governo poderá fazer que “no fim deste mês, as prestações já sejam mais baixas”
Louçã justificou o apelo para que as pessoas com créditos à habitação “não sejam ainda mais estranguladas por uma política que os bancos usam” para as fazer “pagar o que perderam na especulação dos casinos e no jogo dos offshores”.
“Isto seria muito importante porque mostraria que havia uma política orientada para proteger as pessoas e não para proteger o sistema financeiro”, defendeu o deputado do Bloco.
Também o facto dos funcionários da Função Pública “descontarem para a ADSE durante 14 meses, quando deveriam pagar apenas 12 meses” está no centro de mais uma divergência do Bloco com a política seguida pelo governo PS.
“O Provedor de Justiça declarou que a decisão do Governo de estender para 14 meses o pagamento à ADSE não era correcta e o Governo, há uns meses atrás, comprometeu-se a recuar e a repor a situação”, lembrou Louçã. Mas a nove dias do pagamento do subsídio de natal, altura em que “poderá ser descontada nova prestação para a ADSE”. o governo nada fez para corrigir esta injustiça. “São 20 euros que, particularmente para as pessoas com ordenados mais baixos, e são muitas, é uma diferença muito substancial”, defendeu Louçã.
Sobre este problema, o Bloco deixou um desafio ao ministro das Finanças: “Nos próximos nove dias, Teixeira dos Santos tem que cumprir o que prometeu ao Provedor da Justiça, que foi o de fazer a correcção, para não punir os salários dos trabalhadores da Função Pública de uma forma absolutamente inaceitável”.