A RTP entrevistou MC Didado, assumido fundador do "Primeiro Comando Português", que explica que tudo não passou de uma brincadeira de jovens que queriam fazer as próprias festas e nega qualquer ligação com o crime. Ao jornal Correio Brasiliense, o jovem também refutou qualquer comparação com a organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo Mc Didado, "pegaram um vídeo no YouTube que tinha a gente brincando e colocaram de uma forma provocativa, dizendo que éramos uma fotocópia do PCC", explicou.
A manchete da edição de sexta 19 do Correio da Manhã afirmava: "Máfia das favelas entra em Portugal". O artigo sustentava que jovens das favelas do Brasil tinham criado em Portugal (Setúbal) uma organização afecta ao Primeiro Comando da Capital, organização criminosa do Brasil, que adoptara o nome de Primeiro Comando Português e era responsável pelo aumento da criminalidade violenta em Setúbal. A reportagem teve ampla repercussão em todos os média.
À RTP, o jovem disse que alguns dos integrantes do grupo que gostam de Hip Hop fizeram uma gravação no Youtube, "com fotos da gente brincando em festas que a gente fazia." Reconheceu que nessas fotos apareciam facas, "mas toda a festa de brasileiro tem churrasco." Foram essas fotografias que foram publicadas "de forma provocativa como se a gente fosse marginais..." A música que foi apresentada como o hino do Primeiro Comando Português "é de um cantor do Brasil, não é hino". O jovem fez questão de deixar claro "que nenhum de nós cometeu um crime."
MC Didado afirma que no grupo não há criminosos: "Este é um grupo de música, de dança... A gente era solteiro, mais ou menos há uns três anos, e era difícil entrar nas discotecas portuguesas, então a gente se formou para fazer as nossas próprias festas e ir para a balada juntos."
A reportagem da RTP afirma que não há indícios que levem a acreditar que o grupo tem acções violentas.
Para o embaixador do Brasil em Portugal, Celso Marques de Sousa, o caso está a ser exagerado. "Estou convencido que terá havido algum tipo de exagero na matéria que foi publicada. Depreendo isso pelas conversas que venho mantendo com as autoridades portuguesas, e pelos contactos que mantenho coma comunidade brasileira." O embaixador alerta que noticiar a nacionalidade dos criminosos pode levar a que a população portuguesa comece a estigmatizar algumas comunidades.
Ao Correio Brasiliense, o embaixador questionou a linha sensacionalista do Correio da Manhã. "É um jornal parecido com o Luta Democrática e O Dia [jornais sensacionalistas brasileiros], por estampar em suas primeiras páginas assuntos policiais", afirmou. Para ele, é preciso alertar os brasileiros a não irem para Portugal em situação ilegal, sob pena de serem explorados por máfias.
A Casa do Brasil já tinha afirmado que o artigo do Correio da Manhã era irresponsável, por se basear exclusivamente num site da Internet, e xenófobo, por causar um clima de histeria propício ao estigma da comunidade brasileira.
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