Fim-de-semana a convite da Bragaparques

Foto de Fontão de Carvalho e Carmona RodriguesNo «Público» de hoje, o jornalista José António Cerejo revelou que Carmona Rodrigues, Gabriela Seara e Fontão de Carvalho adiaram um encontro de fim-de-semana com Domingos Névoa, sócio gerente da empresa Braga-Parques e acusado de corrupção activa sobre o vereador José Sá Fernandes. O adiamento do fim-de-semana em Trás-os-Montes foi feito dez dias antes de Sá Fernandes ter tornado pública a tentativa de corrupção. As transcrições das escutas feitas pela polícia judiciária confirmam os factos, numa conversa telefónica entre Domingos Névoa e Fontão de Carvalho no dia 8 de Fevereiro.

 

O empresário terá ligado para confirmar a visita de fim-de-semana dos elementos da cúpula da Câmara de Lisboa, ao que Fontão respondeu que o encontro teria de ser adiado porque Carmona e Seara não teriam disponibilidade.

Segundo despacho do Ministério Público que acusou Domingos Névoa «foram recolhidos alguns indícios de que o arguido Domingos Névoa e eventualmente outros responsáveis das empresas associadas à Bragaparques se preparavam, em Fevereiro de 2006, para acompanharem funcionários e responsáveis da autarquia de Lisboa numa viagem, encontrando-se referências à organização de uma estadia e de um almoço no Norte do país». No entanto o magistrado responsável pelo processo considerou que estes indícios não seriam suficientes ou passíveis de uma acusação e mandou arquivar os autos.

José Sá Fernandes já tinha pedido, no final da semana passada, a lista completa dos negócios que a Câmara Municipal de Lisboa tem com a empresa Bragaparques. Fontão de Carvalho negou a existência de qualquer «negócio», referindo-se a penas a «processos» e «licenciamentos».

A revelação de hoje vem lançar mais suspeitas sobre as relações existentes entre os responsáveis da CML e a empresa Bragaparques. Na verdade, o caso que originou a tentativa de corrupção sobre o vereador independente José Sá Fernandes (eleito pelo Bloco de Esquerda) teve início quando a dita empresa adquiriu os terrenos da feira popular em troca dos terrenos do Parque Mayer. Na altura, a empresa Bragaparques tornou-se proprietária de uma área não contemplada na permuta, exercendo um suposto direito de preferência que nem sequer foi aprovado pela Assembleia Municipal.