Maria do Rosário Gama participa este domingo no Fórum sobre Democracia e Serviços Públicos que junta várias esquerdas para debater alternativas às políticas neoliberais. Em entrevista ao Esquerda.net, a Presidente do Conselho Executivo da Escola Infanta Dona Maria - a pública melhor classificada nos rankings - nega que o governo tenha uma política de esquerda e afirma que este PS não contará com o seu voto para chegar a uma nova maioria absoluta.
Oiça a primeira e a segunda parte da entrevista.
Maria do Rosário Gama será oradora na sessão de encerramento do Fórum sobre Democracia e Serviços Públicos, uma inciativa que considera importante até porque "permite criar pontes entre visões distintas". Afirma-se desiludida com este governo que, também em relação à Educação, "não cumpre as suas bases programáticas". Confessa que nesta matéria até acreditou que "houvesse abertura à mudança", mas não desta forma. "À política do quero, posso e mando já eu assisti antes do 25 de Abril e não gosto" - remata.
Sobre este modelo de avaliação de professores, a Presidente do Conselho Executivo da Escola Infanta Dona Maria garante que as simplificações introduzidas pela Ministra "não melhoram nada e só aumentam a conflitualidade", dado que algumas delas são "impraticáveis". E sublinha que até que o Estatuto da Carreira Docente não seja alterado - eliminando-se a divisão da carreira em professores titulares e não titulares - "este modelo de avaliação nunca vai funcionar."
No início desta semana, o Ministério da Educação enviou um e-mail a todos os Conselhos Executivos de escolas, pressionando-os para que adoptem "todas as providências necessárias ao normal desenvolvimento do processo de avaliação de desempenho e desmentir informações que dêem como suspenso o processo na escola que dirigem." Maria do Rosário Gama diz que se trata de uma forma de coacção inaceitável e recusa-se a desmentir o que é verdade: "o processo está suspenso, se não querem que diga suspenso, então digo que está parado."
Na Escola Infanta Dona Maria os professores decidiram por unanimidade suspender a participação neste modelo de avaliação. Maria do Rosário Gama afirma que a sua escola resistirá às coacções, mas avisa que "isolados nada vão conseguir", sendo necessário "organizarmo-nos para que essa seja uma atitude comum a muito mais escolas".