Os trabalhadores da fábrica de calçado Lusolindo, em S. João da Madeira, mantêm-se, há três dias, em vigília junto às instalações para impedir a saída das máquinas e do recheio da empresa. A administração anunciou o encerramento da fábrica mas o Bloco de Esquerda fala em processo fraudulento, dado que "a Lusolindo tem encomendas e crédito na banca". Alguns trabalhadores suspeitam que as encomendas estão a ser desviadas para uma empresa com ligações a um dos sócios. Leia o requerimento e o comunicado do Bloco de Esquerda.
Enquanto o pedido de insolvência não for formalmente solicitado, os trabalhadores garantem que vão manter a vigília. E afirmaram ao JN que, na última semana, foram retiradas "máquinas e alguns sapatos prontos", mas, garantem, "isso não volta a acontecer".
A decisão do pedido de insolvência da empresa foi tomada na última assembleia de accionistas, com o voto maioritário de três dos cinco sócios. Mas o Sindicato dos Trabalhadores do Calçado de Aveiro e Coimbra afirma que se trata de um encerramento motivado por partilhas familiares e o Bloco de Esquerda (BE) de uma tentativa de falência fraudulenta.
No requerimento entregue pela deputada Mariana Aiveca aos ministros da Economia e do Trabalho, o Bloco de Esquerda lembra que "os dois accionistas minoritários, que votaram a favor da continuidade da empresa, disseram aos trabalhadores e ao Sindicato que não percebiam o porquê do encerramento da empresa, uma vez que esta tinha encomendas, e inclusivamente, crédito na banca". E acrescenta que um dos accionistas maioritários da empresa tem já a laborar uma outra empresa de calçado em Cesar, para onde tem desviado a produção.
Também o Bloco de Esquerda de S.João da Madeira mostrou a sua solidariedade com os trabalhadores coparecendo na vigília. "Toda esta situação é ainda mais grave, uma vez que existem várias famílias que trabalham nesta fábrica, e que podem ver negado agora o seu sustento e o seu orçamento mensal, por via do despedimento" afirma em comunicado.