Denunciando a "ocultação de património arqueológico" nas obras da CRIL, a comissão de moradores do Bairro Santa Cruz (Benfica) pediu hoje ao Procurador-Geral da República que investigue as ligações de responsáveis das Estradas de Portugal a empresas que fazem estudos na área do ambiente e arqueologia. O Bloco de Esquerda também enviou um requerimento a pedir esclarecimentos ao Governo.
A revelação feita no fim de semana pelo Jornal Público de que há funcionários das Estradas de Portugal (EP) que eram também sócios de empresas de arqueologia que faziam estudos para a EP, levou os moradores do Bairro de Santa Cruz de Benfica a pedir ao Procurador Geral da República uma investigação sobre este assunto, até porque há suspeitas de que foi ocultado património arqueológico nas obras da CRIL.
"A serem verdade estas ligações de altos funcionários da EP às firmas a quem são entregues os estudos ambientais e arqueológicos necessários para as obras da responsabilidade daquela empresa estes trabalhos não nos merecem credibilidade alguma", disse à Lusa Jorge Alves, da comissão de moradores. "Exigimos que esta situação seja investigada pela PGR para que se apure toda a verdade", disse, acrescentando que "alguns funcionários citados nas notícias fazem parte da comissão que está a fiscalizar a obra do último troço da CRIL".
Jorge Alves lembrou que os moradores já em Julho tinham revelado uma descoberta junto à parede do Aqueduto das Águas Livres na zona da Buraca e que - dizem - "foi ocultada do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR)". Na altura, contactada pela Lusa, fonte do IGESPAR confirmou a disparidade de informações, tendo enviado posteriormente para o terreno um arqueólogo para averiguar a situação. A deputada Helena Pinto também se deslocou ao local (vê a notícia no site do Bloco de Esquerda).
Perante as suspeitas de favores nas Estradas de Portugal, o Bloco de Esquerda dirigiu um requerimento ao governo, sublinhando que "podem estar a acontecer situações em clara violação da lei, o que pode inclusive vir a colocar muitas dúvidas em relação a adjudicações para obras já realizadas ou a realizar". A deputada Helena Pinto quer saber qual o prazo para o final do inquérito interno que a empresa ordenou ,e se já tinha sido tomada no passado, pelo Ministro das Obras Públicas, "alguma medida em relação a possíveis incompatibilidades de quadros da Estradas de Portugal no que diz respeito à prestação de serviços ou colaboração a clientes e fornecedores da empresa".
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