Apenas duas semanas depois da divulgação das previsões do Banco de Portugal, Vítor Constâncio admitiu que se elas fossem apresentadas hoje seriam mais negativas, alegando que as condições económicas se degradaram. As previsões do Banco de Portugal apontavam para uma contracção de 0,8% do produto interno bruto em 2009. Já a Comissão Europeia previu um recuo de 1,6%, precisamente o dobro.
"As previsões, se as fizéssemos hoje, seriam também mais negativas, porém não tanto como as da Comissão [Europeia]", disse à Lusa o governador do Banco de Portugal à margem da conferência do Economist em Lisboa.
Para Constâncio, as razões da desactualização tão rápida do documento do banco de Portugal são que este assentava em dados disponíveis até Novembro e "as notícias dos últimos dez dias acentuaram bastante o pessimismo sobre o crescimento na Europa".
Mas, para o governador do BdP, as previsões da Comissão Europeia são excessivamente negativas já que o cenário traçado para o consumo privado é "muito pessimista e sem fundamento". A Comissão prevê uma quebra de 0,2% do consumo privado. Constâncio admite que o consumo deverá crescer "alguma coisa".
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