
Na moção que apresenta ao próximo congresso do PS, José Sócrates diz que defenderá o fim dos off-shores e a regulação dos mercados nas instâncias internacionais. Mas o offshore da Madeira, que movimenta 7500 milhões de euros sem quaisquer impostos e cujo prazo de concessão termina dentro de dois anos, será para continuar.
O regime de concessão do "paraíso fiscal" que é a Zona Franca da Madeira termina já em 2011, mas já é certo que o PS não proporá o fim deste offshore. O ministro Augusto Santos Silva veio esclarecer ao Diário de Notícias que "se só fechasse o offshore da Madeira, Portugal ficaria prejudicado em relação aos outros países".
O governo português tem dinheiro aplicado em instituições com sede nestes territórios, com verbas que rondam os 67 milhões de euros da administração central. O próprio ministro das Finanças é um dos defensores da utilização de offshores para aplicar o dinheiro do Estado e quando estalou a polémica dos dinheiros públicos depositados nestes territórios, Teixeira dos Santos foi taxativo: "Não sou arauto de princípios morais ou éticos", disse o ministro, que acreditava que "nem todas [as praças offshore] existem para encobrir operações mais obscuras".
O deputado bloquista Francisco Louçã, é um dos que não acredita nas boas intenções do PS nesta matéria. "Nunca este governo tomou qualquer iniciativa na União Europeia no sentido de propor o fim dos off-shores", afirmou Louçã ao DN, sublinhando que "a matriz essencial dos escândalos financeiros em Portugal - caso BPN, caso BCP - é a utilização de sociedades offshore".
Louçã defende que PS deveria ser consequente com o que diz e tornar claro que em 2011 a concessão do off-shore da Madeira chega ao fim. Até porque, garante o bloquista, "o Inferno está cheio de promessas para acabar com os off-shores".