Carvalho da Silva: crise financeira é chocante

30 de setembro 2008 - 17:33
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Francisco Louçã, Arménio Carlos e Carvalho da Silva. Foto de André Beja O secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, definiu como chocante a actual crise financeira, e defendeu a "inversão" de todas as "políticas de mentira" para resolvê-la. Já Francisco Louçã comparou as perdas de Wall Street à "queda do muro de Berlim do capitalismo". Uma delegação da CGTP reuniu-se com o Bloco de Esquerda, a pedido da central, para discutir estratégias de luta. Carvalho da Silva adiantou que foi feita "uma reflexão sobre os problemas da economia", em especial no plano social e laboral.

A delegação da CGTP era composta por Manuel Carvalho da Silva, Deolinda Martins e Arménio Carlos. O Bloco de Esquerda estava representado por Francisco Louçã, José Casimiro, Mariana Aiveca. Discutiu-se a greve e a jornada de luta desta quarta-feira e perspectivas, e ainda a situação dos debates sobre o Código do Trabalho, a crise financeira e suas implicações em Portugal.

Para Carvalho da Silva, "este não é o caminho do futuro: dizer que não há dinheiro para os salários e depois observar que há dinheiro para socorrer os especuladores". O secretário-geral da CGTP atribuiu ao capitalismo neoliberal e ao seu "discurso dos sacrifícios" a responsabilidade pela actual situação. "O dinheiro existe, mas só há disponibilização da riqueza para quem tem poder", observou Carvalho da Silva, recordando que "ano após ano são pedidos mais sacrifícios aos trabalhadores e não há qualquer retribuição, nem estes vêem o país se desenvolver". Portugal é o único país da União Europeia que nos anos de 2006, 2007 e 2008 teve um crescimento real dos salários de zero, apontou o secretário-geral da CGTP.

Sobre a crise financeira mundial, Francisco Louçã lembrou que uma das suas consequências é o aumento do risco de desemprego das vítimas da própria crise. O coordenador do Bloco criticou ainda o plano de resgate dos mercados financeiros da administração americana, rejeitado na segunda-feira pela Câmara dos Representantes: "Não é aceitável reduzir pensões e, por outro lado, encontrar 700 mil milhões de dólares para proteger os accionistas de orgias despesistas", afirmou.