No colóquio realizado no âmbito das jornadas parlamentares do Bloco de Esquerda, em Coimbra, o professor Jorge Leite, um dos mais conceituados especialistas em direito do trabalho, acusou o Código Laboral de promover uma "revisão oculta da Constituição". Jorge Leite referia-se ao abandono pelo PS do princípio do tratamento mais favorável, que impõe que ao trabalhador não possam ser impostas cláusulas ou regras piores do que as consagradas na lei geral.
Jorge Leite sublinhou a continuidade com o Código Bagão Félix e sugeriu que deviam ser tomadas medidas mais rigorosas contra os falsos recibos verdes, lembrando que em Espanha os empresários são punidos com multa e prisão, nos termos do Código Penal.
Também intervieram no colóquio os professores Casimiro Ferreira e Júlio Gomes, que abandonaram a Comissão do Livro Branco que preparou o Código Laboral, porque discordaram das suas soluções fundamentais. Júlio Gomes criticou o modelo de concertação social, que cria anestesia social e favorece a imposição de medidas pelo governo, e defendeu que hoje já temos um dos regimes de despedimento mais fácil da Europa. Casimiro Ferreira defendeu, no mesmo sentido, que o direito de trabalho não tem por função promover a competitividade e os lucros patronais, mas antes proteger a parte mais fraca.
Durante o debate, Jorge Leite referiu o exemplo das grandes superfícies, que passam a poder ter durante dois anos todos os trabalhadores com contrato a prazo. Acrescentou que o novo Código impõe a pulverização sindical, no que foi apoiado por Júlio Gomes, que explicitou que a formação de pequenos sindicatos de empresa favorece o sindicalismo patronal,dando o exemplo de uma empresa que impõe com a assinatura do contrato de trabalho a adesão a um determinado sindicato.
O Bloco de Esquerda apresentou um conjunto de 186 propostas de alteração à lei, que constituem um Código alternativo e que protegeria os direitos dos trabalhadores, repondo o princípio do tratamento mais favorável, a contratação colectiva e a garantia dos direitos dos trabalhadores.
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