
A hipótese de classificar as salas do cinema Quarteto, o primeiro multiplex de Portugal, como espaço de interesse cultural, está a ser equacionada pela Câmara Municipal de Lisboa. Na semana passada, o Quarteto tinha fechado as portas definitivamente, por não conseguir meios financeiros cumprir com as melhorias exigidas após o fecho em Novembro passado.
O espaço de cinema multiplex, composto por quatro salas, estava encerrado desde 16 de Novembro do ano passado, por decisão da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC), que ordenou o encerramento por falta de saídas de emergência em número adequado, falta de um sistema de detecção de incêndio, pela presença de materiais inflamáveis que tinham de ser substituídos, e ainda pela ausência de acesso para deficientes.
Em declarações à imprensa, Pedro Bandeira Freire, fundador do Quarteto, explicou que “Não tenho dinheiro para reabrir e também o meu entusiasmo para lutar por um cinema marginal, que não é visto, também já não está disponível. Eu fiz o Quarteto no tempo da outra senhora. Hoje não conseguiria. É tudo muito burocrático. Peço uma audiência e ninguém tem tempo para me receber. No passado falava com qualquer director no próprio dia. Até com o Secretariado Nacional de Informação. Nem no tempo do salazarismo isto era tão difícil. Hoje está tudo em reuniões, não se chega a lado nenhum.”
A vereadora com o pelouro da Cultura na Câmara Municipal de Lisboa, Rosáalia Vargas, disse à imprensa que a autarquia não tem dinheiro para comprar o Quarteto, mas salientou que "a Câmara gostaria de o preservar, ou pelo menos preservar a sua memória. O que podemos tentar fazer é classificar o espaço como de interesse cultural da cidade, impedindo que se altere o fim para que foi criado. Estamos a ponderar essa hipótese mas ainda não estabelecemos negociações.”
O Quarteto foi uma importante referência na exibição cinematográfica em Lisboa, tendo trazido a Portugal os primeiros filmes de Martin Scorsese, Jacques Rivette ou Jean-Luc Godard.