Bloco exige plano de reestruturação para salvar fábrica Bordalo Pinheiro

20 de janeiro 2009 - 20:48
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Cecília Honório encontrou-se com trabalhadores da fábrica Bordalo Pinheiro, nas Caldas da RaínhaA deputada do Bloco, Cecília Honório, visitou esta terça-feira a fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, encontrou-se com os trabalhadores e exigiu ao Governo que intervenha, com urgência, através de um plano de reestruturação da empresa que evite o encerramento e salve do desemprego os 170 trabalhadores.

 

Cecília Honório deslocou-se à sede da empresa e à fábrica, na zona industrial das Caldas da Rainha, onde se encontrou com elementos da comissão de trabalhadores, para se inteirar da situação da empresa.

A deputada defendeu que a fábrica terá de ser reestruturada com base num plano integrado que a torne viável e que avalie a gestão que foi feita, e exigiu uma intervenção urgente do Governo para evitar o encerramento.

Para o Bloco de Esquerda, o fecho desta unidade fabril é “impensável”. “Estes trabalhadores não podem ir para o desemprego. São famílias inteiras aqui a trabalhar e o desemprego é uma situação incomportável”, referiu Cecília Honório.

A deputada deixou um repto a José Sócrates: “Já que o senhor Primeiro-Ministro está tão empenhado em salvar algumas empresas da falência, sobretudo as instituições financeiras, convido-o a vir às Caldas da Rainha e visitar da fábrica Bordalo Pinheiro, e a empenhar-se numa solução que evite este encerramento”.

A salvaguarda do legado cultural do célebre artista caldense, Rafael Bordado Pinheiro, é outra preocupação do Bloco de Esquerda, manifestada pela deputada. “Há todo um importantíssimo património cultural e artístico, da região das Caldas da Rainha e a Bordalo Pinheiro que não poderá ser perdido”.

Em 2008, os principais mercados compradores da Bordalo Pinheiro, nomeadamente os EUA, deixaram de fazer encomendas, o que conduziu a fábrica numa situação de acumulação de stocks e em enormes dificuldades financeiras. Em Dezembro, a administração da fábrica pediu aos trabalhadores para suspenderem o seu contrato de trabalho por já não existirem encomendas para o mês de Janeiro.

Apesar de existirem já dois meses de salários em atraso, e de se verificarem situações de grave carência social, os trabalhadores têm continuado a trabalhar e a lutar pela manutenção da empresa. No passado sábado estiveram concentrados junto à sede para apelar a que se encontre uma solução que evite o encerramento.

Fundada a 23 de Janeiro de 1884, a fábrica Bordalo Pinheiro tem conseguido resistir, mantendo a actividade numa região do país que, nos últimos anos, perdeu 4 mil postos de trabalho no sector da cerâmica.

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda irá apresentar um requerimento na Assembleia da República, exigindo uma ajuda económica, protecção para os trabalhadores e a realização de um estudo para viabilizar o futuro da fábrica.

A administração da fábrica continua a estabelecer contactos no sentido de encontrar soluções para a crise, junto do Governo. No dia 21, os trabalhadores vão manifestar-se em Lisboa, junto aos ministérios da Economia e do Trabalho, onde esperam ser recebidos.

Esteve previsto para hoje um encontro da deputada do Bloco com a administração da empresa, que não chegou a realizar-se, por impossibilidade do administrador.

 

 


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