A nova administração do BCP prepara a apresentação das contas para a próxima terça-feira. Mas já sabe que os prejuízos com as operações de compra de acções próprias através de off-shores são mais que os 200 milhões de euros indicados pela anterior administração, calculando-se agora em mais de 350 milhões. Entretanto, o PS já fez saber que não se oporá à audição de Paulo Teixeira Pinto e Jardim Gonçalves no parlamento, embora se tenha oposto à constituição de uma comissão de inquérito no debate parlamentar desta sexta-feira.
Ao contrário do que havia sido comunicado pela administração do banco, os prejuízos daquelas operações de compra não foram totalmente assumidos nas contas do BCP. Uma situação que Santos Ferreira quer deixar clarificada quando apresentar as contas na próxima semana, segundo informa o Diário Económico.
O prejuízo decorreu da desvalorização das acções após o aumento de capital, e as acções detidas pelas off-shores foram depois adquiridas por uma empresa controlada pelo BCP (a Comercial Imobiliária, que participa no projecto de reconstrução da baía de Luanda). As perdas geradas, inicialmente calculadas em mais de 200 milhões de euros, foram disfarçadas, segundo o Jornal de Negócios, "através da reavaliação do projecto imobiliário em curso na capital angolana". Foi no primeiro semestre de 2007, quando o banco era presidido por Teixeira Pinto, que a Comercial Imobiliária fez um aumento de capital de 207,7 milhões de euros. A operação envolveu ainda a venda da Comercial Imobiliária à Edifícios Atlântico (outra empresa controlada pelo BCP) e posterior recompra por parte do banco. Foi a EA que adquiriu as acções às off-shores e passou-as à Comercial Imobiliária,
Na próxima quinta-feira, o ex-administrador Filipe Pinhal vai explicar aos deputados as irregularidades na gestão do BCP e o que queria dizer quando falou em pressões de Victor Constâncio para sair da corrida à liderança do banco. Quando foi confrontado pelos jornalistas com o pedido de audição entregue pelo PSD, Filipe Pinhal declarou "Não sou boa testemunha. Oiçam o dr. Jardim Gonçalves, que foi presidente do banco durante 20 anos e o dr. Paulo Teixeira Pinto que naquele período era director-geral e "legal officer".
As operações financeiras suspeitas no BCP estão a ser investigadas pelo Banco de Portugal, pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários e pelo Departamento de Investigação e Acção Penal.