Os favorecimentos na atribuição de casas da empresa municipal Gebalis levou Santana Lopes, Helena Lopes da Costa e Miguel Almeida (todos do PSD) a serem constituídos arguidos. Mas o Diário de Notícias revela que o processo teve origem numa denúncia referente ao mandato de João Soares (PS), e que a actual chefe de gabinete de Marcos Perestrelo (vice-presidente da CML), tem uma casa atribuída pela autarquia há 18 anos onde agora vive o filho.
Helena Lopes da Costa (deputada do PSD e ex-vereadora da Habitação Social da CML), Santana Lopes (ex presidente da CML), e Miguel Almeida (deputado do PSD e ex-chefe de gabinete de Santana Lopes) foram constituídos arguidos o âmbito de um processo de favorecimentos na atribuição de casas geridas pela empresa municipal de Lisboa Gebalis.
Mas a edição desta quarta-feira do DN revela que este processo teve origem numa denúncia sobre uma casa onde residem os pais de um ex-funcionário da autarquia, que trabalhava com João Soares.
O caso está a ser investigado pelo Tribunal de Investigação Criminal de Lisboa e pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa desde pelo menos Maio de 2007. Na altura o denunciante, Fernando Martins da Silva, entregou uma exposição na Procuradoria-Geral da República, garantindo que os pais de José Henriques de Campos Ataíde, ex-telefonista na CML falecido em Março de 2004, tiveram direito a uma casa social da autarquia, com uma renda de 150 euros e pertencente à Gebalis, tendo o processo sido aprovado em tempo recorde. "Existiu favorecimento pessoal na entrega de uma habitação social e tráfico de influências", lê-se na exposição depositada na PGR. Contactado pelo DN, o agora deputado do PS João Soares, ausente em Washington (EUA), declinou quaisquer comentários sobre o assunto, remetendo-os para mais tarde.
Após esta denúncia, o DIAP começou a investigar os vários casos de atribuições de casas sociais pela Câmara de Lisboa e juntou-os num "mega-processo". Segundo o DN, duas funcionários dos serviços de habitação e acção social da CML também foram constituídas arguidas. E adianta outros casos possíveis, como a atribuição de casas da CML a dois motoristas de Santana Lopes, à directora da Segurança Social de Lisboa, ao comandante da Polícia Municipal, a uma artista da canção popular e à secretária pessoal da fadista Amália Rodrigues.
Já ontem o mesmo jornal noticiava que a actual chefe de gabinete de Marcos Perestrelo tem uma casa atribuída pela autarquia há 18 anos onde agora vive o filho. A antiga presidente da Gebalis, Isabel Soares, arrenda a casa a custos controlados pagando 350 euros por mês pelo T1 situado em Telheiras. Entre 2002 e 2004, Isabel Soares terá tentado comprar a casa abaixo do valor do preço de mercado mas Helena Lopes da Costa optou por remeter o caso ao Presidente da Câmara, Santana Lopes, que terá vetado a compra da habitação.