Não é um facto
menor das mobilizações em Copenhaga: existe hoje uma ponte entre o
movimento pela justiça social global e o movimento pela justiça
climática global. Mauricio Becerra R. entrevista Franck Gaudichaud,
do NPA.
Após o fracasso de
Copenhaga e depois de 10 anos dos protestos de Seattle
Quando na
Cimeira de Copenhaga os países ricos impuseram um acordo para servir
os interesses corporativos do Norte, o consenso entre ecologistas e
anti-capitalistas tornou-se evidente. Trata-se de superar o
capitalismo do desastre. El Ciudadano
conversou com Franck Gaudichaud, analista, membro do Rebelion.org e
activista do NPA - Novo Partido Anti-Capitalista francês, para quem
“diante da urgência climática, só nos resta auto-organizar-nos”.
Gaudichaud,
cientista-político, investigou as experiências do movimento
operário chileno durante a Unidade Popular, que consolidou no livro
Poder popular y Cordones Industriales.
Testimonios sobre el movimiento popular
urbano 1970-1973 e é hoje professor
titular sobre Civilização hispano-americana na Universidade de
Grenoble 3, em França. Gaudichaud apela ao desenvolvimento do
eco-socialismo para fazer frente à barbárie neoliberal.
Que diferença podemos
encontrar entre o movimento que surgiu em Seattle há 10 anos e a
experiência do Klimaforum, em Copenhaga, este ano [2009]?
Temos que compreender o
que foi iniciado em Seattle há 10 anos para pensar o actual
movimento em Copenhaga. As lutas colectivas em Seattle foram um
enorme sucesso desde o seu primeiro momento, já que levaram esta
cimeira ao fracasso depois de anos de hegemonia política, económica
e ideológica do neoliberalismo.
A dominação do “Consenso de
Washington”, das privatizações/flexibilizações do FMI, da OMC e
das multinacionais, foi questionado em Seattle pelo que aparece como
o início de um “movimento de movimentos” mundial que visa
rearticular e organizar o campo popular após a queda do Muro de
Berlim e o fim dos “socialismos reais” da Europa de Leste
(socialismos burocráticos e autoritários).
Para dizer a verdade,
considera-se muitas vezes que esta dinâmica começou mais cedo em
Chiapas, na selva Lacandona, quando o grupo dos zapatistas (e do
Subcomandante Marcos) disseram “!Já basta!” ao neoliberalismo e
ao acordo do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN).
Qual a importância
atribui a esta revolta?
Marcou
simbolicamente o início desse ciclo internacional de protesto contra
a “nova ordem mundial” capitalista proclamado por Bush-pai em
1991 e surgiu da reorganização do mundo posterior à desintegração
da URSS e à Guerra do Golfo em 1991.
Os zapatistas foram pioneiros
porque souberam realçar um discurso universal da crítica, situando
a sua luta especifica num quadro global: gritaram com os povos do
mundo “sim à humanidade, não ao neoliberalismo”, propondo a
criação de “um mundo onde caibam todos os mundos” (1). Estas
ideias foram reafirmadas com a convocação do primeiro “Encontro
Intercontinental pela Humanidade e contra o Neoliberalismo”, na
Selva Lacandona, em 1996.
O que o filósofo marxista Daniel Bensaïd
denomina "internacionalismo das resistências" ou "novo
internacionalismo” continua com os protestos de Seattle contra a
OMC em Novembro de 1999 e sobretudo surge com toda a sua força,
durante o Fórum Social Mundial de 2001 em Porto Alegre – Brasil
(2). Para compreender esse processo temos que ler o último livro de
Esther Vivas e Josep Maria Antentas: Resistencias
globales. De Seattle a la crisis de Wall Street
(Editorial Popular, Madrid, 2009).
O Klimaforum
inscreve-se neste processo?
Sem dúvida, a
contra-cimeira do “Klimaforum” faz parte desta trajectória do
movimento alterglobal nascido durante os anos 90. Trata-se de um
movimento não linear e obviamente plural, atravessado por múltiplas
contradições políticas mas também de grande riqueza graças à
sua diversidade, um movimento de movimentos que tem vivido altos e
baixos durante a sua curta existência.
Como escrevem Vivas e
Atentas: “Desde os meados dos anos noventa, uma série de campanhas
internacionais, manifestações e encontros, em inter-relação com
lutas significativas à escala estatal, foram traçando uma teia de
redes, organizações e experiências cuja força e consistência
crescia[...] A explosão do movimento Seattle inaugurou um período
de rápido crescimento do movimento até às mobilizações contra o
G8 em Génova, em Julho de 2001, e os atentados do 11 de Setembro em
Nova York.
Esta foi uma fase de desenvolvimento linear,
semi-espontâneo e “automático” do movimento. Mas depois do 11
de Setembro e com a nova ofensiva imperialista de Bush, o movimento
perdeu centralidade e influência política. Novamente, seguindo o
grande movimento anti-guerra de 2003 contra a invasão do Iraque,
conheceu uma fase crescente de dispersão e fragmentação.
O
“movimento alter” mostrou também limitações significativas em
termos de propostas programáticas concretas e de construção de
agenda de lutas globais, enquanto o capitalismo continuou a assolar o
planeta e a crise mundial a ser paga pelos povos do Sul, em
particular. Se fizermos um balanço, o movimento teve poucos sucessos
concretos e não foi capaz de inverter a “ordem das coisas ",
isto é, enfrentar o capital e comprometer os seus estados. Mas no
campo simbólico e ideológico tem desempenhado um papel-chave no
“rearmamento” do pensamento crítico mundial e no intercâmbio de
ideias e experiências colectivas.
Este aspecto é extremamente
importante depois da “noite” neoliberal e do seu pensamento
hegemónico único. E em Copenhaga (como em Belém, no Fórum Social
Mundial) vimos novamente activistas e organizações sociais de todo
o mundo criticando abertamente a ordem mundial e, ao mesmo tempo,
fazendo muitas propostas radicais para o desenvolvimento alternativo,
não produtivista e pressionando os governos a tomar medidas
concretas urgentes. Neste sentido, concordo com a análise de Cédric
Durand (economista da revista Contretemps) (3): a dez anos de
Seattle, as mobilizações e os debates marcam um novo impulso para o
movimento alterglobal e uma transformação do espaço das
convergências das lutas internacionais.
Assim, Copenhaga inscreve-se
numa resistência contínua desde Seattle, por exemplo, com a acção
de massas chamada “Reclaim Power” [Reclamar o Poder] (4) que
propunha interromper a rotina das negociações para a organização
de uma “Assembleia dos Povos”, invadindo o local exacto onde se
encontravam as selectas negociações institucionais e
governamentais. Ao mesmo tempo, Copenhaga está mais além do que
Seattle pelo tamanho do protesto: cem mil pessoas manifestaram-se a
12 de Dezembro de 2009 em comparação com pouco mais de 20 mil em
Seattle, na sua dimensão política e nas suas propostas alternativas
concretas.
Podemos dizer que há
hoje uma confluência, que não havia da década de 90, entre os
movimentos ecologistas e anti-capitalistas por identificarem o
capitalismo da crise como inimigo comum?
É preciso
esclarecer uma coisa essencial: não se pode colocar no mesmo plano o
movimento alter-mundialista ou anti-globalização com o
anti-capitalismo. Dentro do primeiro militam activistas
anti-capitalistas, mas o movimento alter-mundialista é muito mais
diversificado e há muitos alter-mundialistas que continuam a pensar
que se pode regular o capital, criar uma “economia social mundial
de mercado”, que a era das revoluções ou das rupturas
anti-capitalistas terminou, que o estado do bem-estar pode ser
reconstruído, ou seja, uma visão social-democrata, reformista o
anti-liberal moderada.
O movimento é composto por muitas ONG’s,
parcial ou totalmente institucionalizadas, sindicatos, colectivos
múltiplos, como também por militantes de tendências tão variadas
como libertários, comunistas, cristãos sociais, ecologistas, etc. É
verdade que nos últimos anos muitos activistas “moderados” se
radicalizaram contra a regressão neoliberal e a força do
imperialismo militar. E assim, mais do que nunca é preciso explicar
que a única alternativa possível é anti-capitalista.
Conforme
sugere Michael Löwy, “Qual é a raiz dos regimes totalitários dos
bancos e dos monopólios, da ditadura dos mercados financeiros, das
guerras imperialistas, senão o próprio sistema capitalista?
Naturalmente, todos os componentes do movimento alter-mundialista não
estão dispostos a tirar essa conclusão: alguns ainda sonham com um
retorno ao neo-keynesianismo, ao crescimento dos “trinta gloriosos”
ou ao capitalismo regulamentado, com um rosto humano.
Estes
“moderados” têm o seu lugar no movimento, mas é inegável que
uma tendência mais radical tende a predominar. A maioria dos
documentos gerados pelo movimente põem em causa não só a política
neoliberal e belicista, como o poder do próprio capital.(5)
Que efeitos permitem
esta confluência na articulação do movimentos social nas lutas
futuras?
Não é um facto menor das
mobilizações em Copenhaga: existe hoje uma ponte entre o movimento
pela justiça social global e o movimento pela justiça climática
global. Isso, penso eu, é a esperança fundamental do Klimaforum, da
coligação “Climate Justice Now” [Justiça Climática agora] e
de todos os militantes que partilharam este evento.
Os militantes do
Klimaforum, onde participaram 522 organizações de 67 países, tal
como os activistas “autónomos” do “Climate Justice Action”
[Acção pela Justiça Climática] quiseram opor-se, cada um à sua
maneira, ao slogan dos países industrializados e dos grandes
monopólios que diziam “Business as usual”, aconteça o que
acontecer “depois de mim, o dilúvio”. Desde 1999, os lemas do
alter-mundialismo têm sido: “O mundo não está à venda”,
“Globalizemos as resistências” ou “Outro mundo é possível”,
agora podemos acrescentar: “O planeta sim, o lucro não”,
“Justiça climática agora” “Mudemos de sistema, não de
clima”, “Não existe um Planeta B!”.
Tudo o que se pode ler nas
paredes de Copenhaga já faz parte da herança da resistência
global. Tudo isso caminha na mesma direcção: uma crítica a um
mundo dominado pelo mercantilismo, a privatização e o capital
transnacional. Assim, de Chiapas em 1994 para Copenhaga em 2009, os
povos mobilizados estão a dizer, de alguma forma, às classes
dominantes deste mundo que a história não está terminada (como
Francis Fukuyama proclamou apressadamente) e que não é o planeta
que temos de destruir mas sim o capitalismo…
E ainda mais quando se
vê o resultado vergonhoso das negociações em Copenhaga que
desembocaram num acordo final para servir os interesses corporativos
do Norte: 193 estiveram na cimeira, representados na sua maioria
pelos seus Chefes de Estado e por Obama (e o seu pequeno grupo de
“países amigos”) que ignoraram o processo colectivo da ONU, o
que resultou num documento não vinculativo, que foi apresentado sob
o lema “é pegar ou largar”.
Considerando este fracasso
irresponsável e anunciado, o fórum alternativo foi a “semente da
esperança”: como o disse Amy Goodman, ” a cimeira das alterações
climáticas em Copenhaga não chegou a um acordo justo, ambicioso e
vinculativo, mas inspirou uma nova geração de activistas a
juntar-se ao que se provou ser um movimento global pela justiça
climática maduro e sólido “(6).
Uma das críticas é a
de que estes eventos acontecem em momentos de reuniões ou cimeiras
dos agentes do poder global. Como sair da lógica do evento ou das
contra-cimeiras e desenvolver a
agenda própria?
Como
Naomi Klein escreveu recentemente, o
movimento dos movimentos parece que passou à “maioria de idade”
e alcançou maturidade política desde 1999 (7). Mas também a
urgência é imensa e nós estamos à beira do abismo ecocida
e da barbárie da auto-destruição da humanidade!
Em Copenhaga houve
protesto e oposição e, ao mesmo tempo, a proposta de um modelo de
transição eco-social contra a crise climática: uma estratégia de
transição de justiça climática plasmada na “Declaração dos
povos” do Klimaforum (8), que propõe abandonar-se completamente os
combustíveis fósseis nos próximos 30 anos; reconhecer, compensar e
pagar a dívida do clima (80% dos recursos do planeta são consumidos
por 20% das pessoas - principalmente dos países do norte), rejeitar
as soluções falsas e perigosas orientadas para o mercado e focadas
na tecnologia e implementar soluções reais baseadas em: soberania
alimentar e agricultura ecológica; soberania energética;
planeamento ecológico das áreas urbanas e rurais; instituições
educativas, científicas e culturais; fim ao militarismo e às
guerras; e, um ponto central, apropriação democrática, controlo da
economia e “formas mais democráticas de gestão”.
Todos estes
pontos, é claro, temos de ajustá-los e discuti-los, embora para
colocar em prática tudo isto o documento diga uma série de medidas
imediatas que geraram consenso apesar das grandes diferenças
políticas existentes. Mas para além deste consenso, as grandes
opções estratégicas permanecem abertas. O movimento pela Justiça
Climática conhece o seu inimigo: o capitalismo e as suas
instituições e denuncia a dominação do mundo pelas
multinacionais, como as falsas soluções inspiradas no “Capitalismo
verde”.
Mas como construir politicamente estas alternativas: Quais
as relações com os partidos de esquerda, com a noção de “tomada
do poder”, com as classes populares? Que posição tomar no debate
entre o (de) crescimento radical, a “simplicidade voluntária” e
o “desenvolvimento verde”? Qual o balanço e lições a tirar
depois dos socialismos reais, productivistas e insustentáveis? Quais
as estratégias para a ruptura do sistema capitalista? Etc.
Quais são os próximos
passos para o movimento anti-capitalista?
Eu não posso ter a pretensão de falar
em nome do “movimento anti-capitalista”. O que posso fazer, sim,
é responder como militante do Novo Partido Anti-Capitalista (NPA -
França): saudamos as convergências de
lutas que tiveram lugar em Copenhaga e denunciamos o fracasso
organizado por Obama e pela União Europeia (incluindo Sarkozy),
entre outros. Vamos continuar a mobilizar-nos de maneira ampla e
unitária para articular justiça social e urgência climática, na
perspectiva de construir uma “alternativa solidária” Norte-Sul
anti-capitalista, internacionalista e anti-productivista.
A proposta
de Evo Morales de um tribunal da justiça climática parece-me
interessante, tal como o seu apelo
para uma cimeira alternativa na Bolívia. em Abril de 2010. Também é
necessário
apoiar a iniciativa original equatoriana para “deixar o
petróleo na terra”, através do “projecto ITT”. Trata-se de
não explorar cerca de 850 milhões de barris do petróleo localizado
no parque Yasuní que é uma reserva natural com uma das
biodiversidades mais importantes do mundo. A exploração deste
petróleo pesado poderia significar para o Estado uma renda que
oscila entre os 5.000 e 6.000 milhões de dólares (com um preço por
barril de cerca 70 dólares).
Para nós, o principal desafio é o
combate colectivo baseado numa clara perspectiva eco-socialista, como
a que foi defendida por Michael Löwy, entre outros, em Copenhaga.
Podes
definir o que é o “Eco-socialismo”?
Este termo sugere a
combinação de dois conceitos - “ecologia” e “socialismo” -
para criar um novo significado, um conceito de civilização
radicalmente diferente, um projecto de sociedade e de relação com a
natureza, com a “terra mãe”, carregado de respeito, justiça,
humanismo, liberdade, participação e utopia.
O Eco-socialismo é
uma tentativa de fornecer uma alternativa integral com base nos
argumentos do movimento ecologista e da crítica marxista da economia
política. Trata-se de unir o combate histórico e social do
movimento operário com as reivindicações do movimento ecologista
e, nesta direcção, o elemento mais importante para uma
transformação eco-socialista é e será a auto-organização de
base.
O que é então o eco-socialismo? Trata-se de uma corrente de
pensamento e de acção ecológica que integra as causas fundamentais
do marxismo, libertando-se das escórias productivistas; uma corrente
que compreendeu que a lógica do mercado capitalista e da ganância,
assim como a do autoritarismo tecno-burocrático das defuntas
“democracias populares”, são incompatíveis com a defesa do
meio-ambiente. Enfim, uma corrente que criticando a ideologia das
correntes dominantes do movimento operário, sabe que os
trabalhadores e as suas organizações são uma força essencial para
a transformação radical do sistema.(9) A humanidade enfrenta hoje
uma escolha difícil: eco-socialismo ou barbárie.
Conforme o
anunciado na declaração eco-socialista apresentada no último Fórum
Social Mundial em Belém (Brasil):
“O movimento eco-socialista tem
como objectivo travar e inverter o processo desastroso do aquecimento
global, em particular, e o ecocídio capitalista em general, e
construir uma alternativa radical à prática do sistema capitalista.
O eco-socialismo baseia-se numa economia centrada nos valores
não-monetários da justiça social e no equilíbrio ecológico.
Critica tanto a “ecologia de mercado” como o socialismo
productivista, que ignorava o equilíbrio da terra e os seus limites.
Redefine o caminho e a meta do socialismo dentro de um prisma
ecológico e democrático.
O eco-socialismo implica uma transformação
social revolucionária, que resultará no limitar do crescimento e na
transformação das necessidades através de uma profunda mudança
nos critérios económicos quantitativos aos qualitativos, dando-se
ênfase ao valor de uso no lugar do valor de troca.
Estes objectivos
exigem a adopção de decisões democráticas na esfera económica,
permitindo à sociedade definir colectivamente as suas metas de
investimento e produção, e a colectivização dos principais meios
de produção. […] A rejeição do productivismo e o abandono dos
critérios quantitativos em prol dos qualitativos implicam repensar a
natureza e os objectivos de produção e a actividade económica em
geral" (10).
Diante da urgência climática, só nos resta
(auto)organizar-nos e inovar no âmbito de uma perspectiva
internacionalista, anti-capitalista e democrática, pensando como
Gramsci, que o pessimismo da razão tem de alimentar o nosso
optimismo da vontade (colectiva).
1- Ver Michael Löwy,
“ Negatividad y utopía del movimiento
altermundialista ”, Laberinto, nº 23,
2007; e Josep Maria Antentas, Esther Vivas, “Chiapas, 15 anos depois”.
2- Daniel Bensaïd, Le
nouvel internationalisme, Paris, Textuel, 2003.
3- Cédric Durand, “Ce
que veut le mouvement pour la Justice Climatique», Contretemps.
4-
http://www.climate-justice-action.org/.
5- Michael Löwy,
“Negatividad y utopía del movimiento altermundialista”, Op.
Cit.
6- Ver: Amy Goodman,
“Discordia climática: de la esperanza al fracaso en Copenhague”; Giorgio Trucchi, “El Sur en Copenhague: “¡No existe un
Planeta B!”.
7-
http://www.mouvements.info/Le-passage-a-l-age-adulte-des.html.
8-
www.klimaforum09.dk/IMG/pdf/Declaracion_de_los_pueblos_en_Klimaforum09.pdf
9 -Ver Sébastien Godinot,
“Contre les fausses solutions, la justice environnementale et
sociale”; e Michel Husson, “Un capitalisme vert est-il possible ?”.
10- Declaración
Ecosocialista de Belem.
Consultar também www.ecosocialistnetwork.org
Publicado em
www.rebelion.org, tradução
de Júlio Grilo Morais.