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Cannadouro 2017 no Quatro e Vinte


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Nesta edição do podcast Quatro e Vinte, o convidado é João Carvalho, da organização da primeira Feira Internacional de Cânhamo do Porto, que se realiza no fim de semana de 18 e 19 de novembro na Alfândega do Porto. Em entrevista ao Quatro e Vinte, João Carvalho diz o que podemos esperar da Cannadouro 2017 e fala do programa desta iniciativa pioneira no mundo canábico português. Apesar da incerteza legislativa, o país vai dando os primeiros passos no mercado da canábis legal.

Na atualidade canábica, destacamos um dos grandes negócios deste mercado. A fabricante norte-americana de bebidas alcoólicas Constellation Brands, que entre outras produz a cerveja Corona, acaba de comprar por 164 milhões de euros uma fatia de 10% da maior produtora de canábis do Canadá, a Canopy Growth. Um investimento com os olhos no futuro, à medida que as bebidas à base de canábis vão ganhando quota de mercado nos estados que legalizaram o seu comércio.

Na Alemanha, as negociações para a chamada “coligação Jamaica”, por causa das cores da CDU, FDP e Verdes, podem vir a fazer jus ao nome. Segundo a revista Forbes, na mesa de negociação entre Angela Merkel e os líderes dos dois partidos mais pequenos está a proposta de legalização total da canábis. A Alemanha legalizou este ano o uso terapêutico da planta e tornou-se o maior mercado europeu para a canábis legal e os seus derivados com uso medicinal. As negociações ainda decorrem e a confirmar-se esta notícia, o panorama europeu das leis da canábis poderia sofrer uma revolução a curto prazo.

Outro país europeu a avançar para a legalização do uso terapêutico é o Luxemburgo. O primeiro-ministro Xavier Bettel deu luz verde a uma fase de teste, dirigida a doentes com dor crónica, esclerose múltipla ou aos que estão a ser tratados com quimioterapia. Para já, apenas poderão receitar tratamentos com canábis os médicos internos, dos imunologistas e oncologistas. A canábis estará disponível apenas nas farmácias hospitalares.

Um estudo da Stanford University School of Medicine concluiu que a ideia tantas vezes propalada de que o consumo de canábis afeta o desempenho sexual não tem afinal razão de ser. A partir das respostas ao inquérito nacional ao crescimento familiar, que se realiza há décadas nos Estados Unidos, os investigadores chegaram à conclusão que quem consome canábis tem 20% mais sexo, e com maior frequência, do que quem não consome, independentemente da idade ou da situação social. Os autores do estudo alertam que apesar desta associação positiva entre o consumo de canábis e a frequência das relações sexuais dos norte-americanos, isso não quer dizer que exista uma relação causal entre o consumo de canábis e a maior atividade sexual.

O responsável máximo pelo departamento de saúde pública no Colorado fez um primeiro balanço dos efeitos da legalização naquele estado norte-americano em 2014. Diz Larry Wolk que “não houve consequências de maior” com a legalização. O número de consumidores não sofreu alteração e as idas às urgências também não tiveram grande oscilação. Larry Wolf justifica esta aparente normalidade com a forte campanha de informação que acompanhou o processo da legalização da canábis para uso recreativo, mas também com o modelo adotado que impede a venda de canábis em lojas ou bares onde também se vendam bebidas alcoólicas.

Os norte-americanos são cada vez mais favoráveis à legalização da canábis. A conclusão é da sondagem do instituto Gallup, que desde 1969 questiona os norte-americanos sobre assuntos ligados aos costumes. São agora 64% dos inquiridos a defender a legalização.  A grande novidade deste ano é que pela primeira vez, há uma maioria de republicanos a favor da legalização. São já 51%, um número que disparou nove pontos percentuais desde o ano passado. 


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