Vice-presidente do grupo parlamentar do PSD quer demissão de Vítor Gaspar

11 de maio 2013 - 11:04

A proposta inconstitucional de cortar as pensões de reforma retroativamente agudiza as divisões no Governo. Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, declara que “o tempo político de Vítor Gaspar terminou”. Nuno Melo diz que o CDS quer “evitar” a “TSU dos pensionistas”. Vice-presidente do PSD defende Gaspar e ataca Amorim.

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Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, declara que “o tempo político de Vítor Gaspar terminou”

Carlos Abreu Amorim, que é também candidato do PSD a presidente da Câmara de Gaia, declarou nesta sexta-feira: “Vítor Gaspar restabeleceu a confiança dos mercados e teve sucesso nas suas políticas de voltar a inserir Portugal nos mercados financeiros mas, neste momento, eu julgo que o país precisa de uma nova etapa neste combate tremendo à crise económica, financeira e social em que estamos e que o tempo político de Vítor Gaspar terminou”.

Abreu Amorim fez estas declarações à Lusa, à margem da apresentação dos candidatos do PSD às freguesias de Gaia, e acrescentou: “É preciso pedir o regresso da política, é preciso que os problemas sejam tratados através de uma perceção dos anseios e necessidades das pessoas e isso é muito mais vasto do que a visão tecnocrática afunilada com que muitos dos problemas do país têm vindo a ser tratados até agora”.

Abreu Amorim diz ainda que “Vítor Gaspar não é, de modo algum, a pessoa indicada para dar esperança a Portugal e aos portugueses”, considerando que “já cumpriu a sua missão” e que “neste momento, é preciso virarmos a página e passarmos para uma nova etapa”.

O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD criticou também as “declarações profundamente infelizes do senhor secretário de Estado” da administração pública, Hélder Rosalino, sobre a aplicação de cortes retroativos nas pensões do Estado, considerando que “são declarações de quem não tem perceção nenhuma do contexto político e social [atual] nem do impacto que vão ter”, que “o papel do político não é aterrorizar as pessoas” e que “nenhum membro do governo” deve lançar hipóteses que não estejam “devidamente estudadas” e que até podem “nem se vir a concretizar”.

Nuno Melo, vice-presidente do CDS-PP, declarou à saída da reunião da delegação deste partido com o primeiro-ministro: "Para o CDS é muito determinante e importante evitar aquilo que a comunicação social entendeu classificar como TSU [Taxa Social Única] dos pensionistas".

Nuno Melo acrescentou ainda: "É importante para o CDS por abranger pensionistas quer da caixa geral de aposentações quer da chamada segurança social, por estarmos a falar de pessoas já com baixos rendimentos e, nisso, pelo impacto importante que teria do ponto de vista social e por termos presente que para a maior parte destas pessoas aquilo que recebem, porventura, já não chega".

Em resposta ao vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, Jorge Moreira da Silva, vice-presidente do PSD, declarou: "Quero em nome do PSD lamentar estas declarações e esperar que o Dr. Abreu Amorim tenha condições para explicar qual era a intenção, na medida em que essas declarações são, do ponto de vista dos princípios, inaceitáveis, do ponto de vista estratégico, incorretas e, do ponto de vista eleitoral, ineficientes".