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Venezuela: consulta popular e ensaio do governo mobilizaram milhões de eleitores

Neste domingo, o referendo convocado pela Assembleia Nacional, no qual participaram mais de 7 milhões de eleitores, ficou manchado pela morte a tiro de uma mulher de 61 anos. No mesmo dia, o Governo ensaiou a votação para a Assembleia Constituinte.
“Com 95% dos votos escrutinados, participaram 7.186.170 venezuelanos” na consulta popular organizada para que os cidadãos se pronunciassem sobre as alterações à Constituição. Foto de  Asamblea Nacional‏/ Twitter
“Com 95% dos votos escrutinados, participaram 7.186.170 venezuelanos” na consulta popular organizada para que os cidadãos se pronunciassem sobre as alterações à Constituição. Foto de Asamblea Nacional‏/ Twitter

O referendo teve lugar após meses de protestos intensos que já causaram perto de cem mortos. Também este domingo ficou marcado pela violência. Segundo o jornal espanhol El País, uma mulher de 61 anos foi morta a tiro e quatro pessoas ficaram feridas, quando um grupo de homens armados disparou contra uma das assembleias de voto.

A Assembleia Nacional, dominada pela oposição ao Governo, convocou um referendo com cerca de 2300 mesas de voto, em todo o país, e em cerca de 600 cidades no estrangeiro. Os números anunciados de participação rondam os 7.2 milhões de eleitores, ficando aquém da votação obtida pelo candidato da oposição, Henrique Capriles, nas presidenciais de 2013, disputadas com o atual presidente Nicolás Maduro.

“Com 95% dos votos escrutinados, participaram 7.186.170 venezuelanos” na consulta popular organizada para que os cidadãos se pronunciassem sobre as alterações à Constituição, informou, em conferência de imprensa, a reitora da Universidade Central da Venezuela (UCV) e membro da comissão de garantias do referendo, Cecilia García Arocha.

No referendo, a quase totalidade dos participantes (98%) rejeitou a proposta do chefe de Estado para a convocação de uma Assembleia Constituinte. O universo eleitoral venezuelano é composto por cerca de 19 milhões de pessoas.

Por seu lado, o governo pôs a funcionar mais de 500 assembleias de voto para ensaiar a organização da máquina eleitoral para a eleição da Assembleia Constituinte, já marcada para o dia 30 de julho. O ensaio eleitoral foi o mais participado de sempre, diz o governo, e serviu para os eleitores se familiarizarem com os aparelhos que registam o voto.

O ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, saudou a participação no ensaio eleitoral, considerando-a um sinal de uma “democracia robusta”. Villegas referiu-se também à consulta organizada pela oposição, dizendo que “preferimos mil vezes vê-los a participar na consulta e a exercer a forma de expressão democrática do que a exercer a violência”.

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