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União Europeia e PPE "são diretamente responsáveis pela repressão na Turquia", diz Marisa Matias

800 jornalistas bem como vários ativistas da Aministia Internacional continuam detidos sob acusação de "atividades terroristas", mas a União Europeia mantém acordo de deportação de refugiados e não coloca em causa a ocupação do Chipre. 
Erdogan com Claude Juncker e Donald Tusk a 25 de maio de 2017. Foto de François Lenoir, POOL/Lusa.
Erdogan com Claude Juncker e Donald Tusk a 25 de maio de 2017. Foto de François Lenoir, POOL/Lusa.

Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu (família política maioritária no Parlamento Europeu, onde se integram os eleitos pelo PSD e CDS) apelou ao fim das negociações de adesão da Turquia à União Europeia. Um apelo "cínico", considera Marisa Matias, uma vez que o PPE "é o principal responsável por tudo o que de vergonhoso tem sido feito com a Turquia. E é também umas famílias políticas mais responsável pela manutenção da ocupação do Chipre", um assunto que a esquerda europeia leva sucessivamente a discussão parlamentar e que o PPE rejeita. 

Sob a liderança do PPE, "o Parlamento Europeu assumiu um papel de hipocrisia total. Porque "joga com as negociações de adesão à UE para, por exemplo, estabelecer o vergonhoso acordo de deportação de refugiados". Por isso, as declarações de Weber sobre os jornalistas são "inconsequentes nem vão obrigar a Turquia a respeitar liberdade de imprensa, tal como não respeita a liberdade de associação política", relembrando a prisão dos líderes da oposição a Erdogan no início deste ano. Pelo contrário, diz: "a União Europeia e o PPE são hoje diretamente responsáveis pela repressão na Turquia".

O diretor local da Amnistia Internacional bem como outros cinco ativistas estão há cinco semanas detidos em Ankara, com as autoridades turcas a acusarem a organização de "atividades terroristas". Outros quatro ativistas de direitos humanos foram detidos novamente, depois de serem libertados durante o fim-de-semana.

Esta segunda-feira teve início o julgamento nos tribunais turcos de vários jornalistas acusados de "atividades terrroristas". A Turquia é neste momento um dos países com maior número de jornalistas na prisão. Desde o golpe de Julho de 2016 que 800 jornalistas foram detidos, sempre com acusações de "terrorismo", e 173 organizações de media independentes foram encerradas. 

O jornal Cumhuriyet, simbólico por ser dos mais antigos da Turquia com 93 anos de atividade, foi encerrado a 1 de novembro de 2016, numa operação onde 14 dos seus funcionários e colaboradores viram os seus apartamentos invadidos pela polícia, que levou computadores, telemóveis e livros. São acusados de apoiar uma de três organizações terroristas: ou o movimento islamista Gülen, ou o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) ou o DHKP-C, de extrema-esquerda. "Para fundamentar estas acusações citam-se artigos, tweets ou telefonemas, mas nenhuma prova palpável", escreve o jornal Público.

As autoridades "acusam os jornalistas de ajuda e cumplicidade com organizações terroristas. Mas o que fizeram eles realmente? Nada a não ser noticiar acontecimentos", pode ler-se num comunicado do sindicato de jornalistas turco, citado pelo Guardian.

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