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“Uma ganância absurda está a destruir os CTT”

Durante uma ação contra o encerramento da estação dos CTT de Alferrarede, concelho de Abrantes, Catarina Martins defendeu que o Estado deve reverter a privatização da empresa, protegendo os seus trabalhadores e garantindo “o serviço público de qualidade de que todo o país precisa”.

A coordenadora bloquista frisou, em declarações à comunicação social, que “fechar uma estação de correios num concelho que, infelizmente, sofreu tanto com os incêndios florestais, e exatamente numa freguesia onde existem indústrias e empresas que são servidas por esta estação, é fazer aquilo que dissemos que não podia ser feito: ter mais abandono do território, ter menos serviços públicos e atacar a economia onde ela precisa de apoio, onde precisamos de emprego e precisamos de gente”.

Catarina Martins destacou que os CTT são altamente lucrativos. A empresa arrecada mais de 60 milhões de lucro a cada ano que passa. Em 2017, os seus acionistas decidiram distribuir entre si dividendos superiores ao lucro obtido. Já ao presidente da administração dos CTT é garantido um rendimento anual que equivale a 128 anos de trabalho de um trabalhador da empresa.

Ao mesmo tempo, os CTT planeiam despedir 800 trabalhadores e encerrar 22 estações de correios por todo o país.



“Uma ganância absurda está a destruir os CTT”

“Os acionistas só se preocupam com o lucro rápido. É a rapina de uma empresa que foi construída com investimento público, com o esforço dos seus trabalhadores”, afirmou a dirigente do Bloco, reforçando que “a ganância absurda está a destruir os CTT”.

Catarina Martins lembrou que a entidade reguladora já confirmou que o serviço se está a degradar: “E não era preciso vir a ANACOM dizê-lo. As pessoas sentem-no. Já não há entrega de correio diária, há cartas que demoram quinze dias a chegar, há tantos pensionistas que chegam aos correios para levantar a sua reforma e dizem-lhes que nesse dia já não é possível, porque já não há plafond. Isto não é aceitável”, frisou.

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Referindo que a escolha do governo PSD/CDS de privatizar os CTT “foi um verdadeiro assalto, um negócio ruinoso para o nosso país”, e que “é sempre muito difícil emendar o que foi mal feito”, a coordenadora do Bloco salientou, contudo, que, “na verdade, o contrato de concessão dos CTT reconhece expressamente que, quando o serviço não está a ser cumprido nas condições contratualizadas, quando há degradação, o Estado pode rescindir a concessão” e garantir “o serviço público de qualidade de que todo o país precisa”.

E é isso mesmo que o Bloco propõe: “que se rescinda o contrato por incumprimento e alteração do serviço e, com isto, que os CTT retomem à esfera pública protegendo os seus trabalhadores e protegendo todas as populações que têm direito e devem ter acesso aos correios”.

“Temos de travar o que está a acontecer com os CTT”

Recordando que os autarcas de todo o país e de todos os partidos têm-se posicionado no sentido de travar o encerramento das estações de correio e a delapidação do serviço público de correios, como é o caso do autarca socialista de Abrantes, Catarina Martins frisou que quer o Parlamento quer o Governo têm de ser capazes de ter essa posição.



A dirigente do Bloco apontou ainda que, “em quase todo o mundo, os serviços de correio são públicos” e que “não é por acaso que os poucos países da Europa que fizeram a experiência da privatização acabaram por reverter ou ficaram sem correios”. “Portugal também tem de aprender com essa experiência internacional”, avançou.

De acordo com Catarina Martins, “não podemos limitar-nos a dizer que os CTT estão a fazer mal. Temos de travar o que está a acontecer com a empresa”.
 

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