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Tragédia de Pedrógão expôs fragilidades da falta de prevenção, afirma Marisa

Em Armação de Pêra, a eurodeputada fez balanço do caminho do Bloco de Esquerda em dois anos de acordo parlamentar e, sobre os incêndios, apontou que os diagnósticos estão feitos mas continuam a faltar soluções e valorizou os passos para a reforma florestal, que estão a ser dados no parlamento.
Marisa Matias referiu no comício de verão do Bloco de Esquerda que “a esquerda quer soluções a direita quer votos”. Foto de Paulete Matos
Marisa Matias referiu no comício de verão do Bloco de Esquerda que “a esquerda quer soluções a direita quer votos”. Foto de Paulete Matos

Marisa Matias iniciou o comício de verão, em Armação de Pêra, enaltecendo a coragem daqueles que, pelo Bloco de Esquerda dão a cara por uma alternativa politica, pela democracia. “Apesar de 43 anos de democracia, vigora ainda o medo, não porque as pessoas não sejam corajosas ou porque não tenham vontade. Em muitos municípios é muito difícil, porque às vezes pode significar perder o emprego”, destacou a eurodeputada

Marisa salientou que as candidaturas locais do Bloco são um sinal do virar de página que dá “verdadeiro sentido da democracia, que é o pluralismo, que é a diversidade, que é fazermos compromissos entre nós para encontrarmos melhores soluções, para encontrarmos melhores alternativas”.

A eurodeputada falou da vaga de incêndios que está a assolar o país e que todos os anos são notícia. “Os diagnósticos estão feitos há muito tempo, mas nós continuamos sem soluções eficazes e reais para resolver aquele que tem sido um dos problemas maiores e que infelizmente este ano teve a sua versão mais trágica,  porque perdemos muitas vidas”, lamentou.

Para Marisa a tragédia de Pedrógão expôs as fragilidades de um país que não soube prevenir.  “Perdemos muito em matéria daquilo que é a dignidade e capacidade das pessoas resistirem, se pensarmos naquilo que são as vítimas e as suas famílias”, disse.

Marisa Matias referiu também que em 43 anos de democracia, só este ano, com a alternativa de esquerda no Parlamento, foi possível quebrar a lógica de que não há alternativa. Deu o exemplo da vitória tímida da reforma florestal e elencou os passos dados para que as gerações futuras possam viver sem a tragédia dos incêndios.

Em primeiro lugar, Marisa Matias falou da importância da aprovação de um dos pilares da reforma que é o cadastro da floresta que temos e quem são os seus proprietários. “Sabemos apenas que o estado é proprietário de três por cento do território florestal e das matas, ao contrário da média europeia que é quase 50%. Não sabemos quem são os proprietários". Acrescentou que com esta medida de  se cadastrar a floresta “podemos começar a registar e a ter noção de como podemos ter uma política de prevenção para evitar a catástrofe”.

Em seguida, referiu a importância da criação do regime de baldios, que foi aprovado por proposta do Bloco de Esquerda. “Não estava regulamentado não estava legislado e era importante, também para ordenamento do território”, alertou a eurodeputada.

Salientou ainda que, dentro da aprovação da reforma florestal, estão contidas as “alterações ao sistema nacional de defesa da floresta contra os incêndios que é, um elemento fundamental, não só na prevenção mas para evitar que não voltemos a ter histórias como a de Pedrógão Grande”.

A eurodeputada destacou, por último, uma das conquistas importantes da reforma florestal, que é a limitação da monocultura do eucalipto que, por ter combustão rápida, tem dificultado a prevenção e o combate aos incêndios. Marisa Matias salientou que “os rendimentos das populações que vivem no interior não podem depender da monocultura do eucalipto". “Os rendimentos das pessoas que vivem no interior têm que depender da criação de emprego”, apontou.

Marisa Matias lamentou a posição do PCP em relação ao pilar que faltava para haver uma reforma florestal mais robusta: a questão da criação do banco de terras público. “Não percebi e continuo a não perceber, até hoje, porque razão, no voto plenário na Assembleia da República, o PCP não cumpriu o acordo que teve em sede de comissão parlamentar e votou de maneira diferente”.

“Por causa dessa mudança de voto não foi possível termos o banco público de terras que era um elemento fundamental para termos uma reforma mais profunda e mais completa”, lamentou

Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de esquerda no comício de verão em Armação de Pêra, Algarve. Foto Esquerda.net. 

“Fazer render a tragédia alheia para eleitoralmente tirar dividendos é uma vergonha”

Marisa Matias condenou ainda a atitude da direita que teima em aproveitar-se politicamente dos incêndios e das vítimas das tragédias como as de Pedrógão Grande. “Não estavam sequer apagadas as chamas em Pedrógão e já estava a direita a fazer render a tragédia alheia para eleitoralmente tirar dividendos.  É uma vergonha”, disse.

Lamentou que o líder parlamentar do PSD esteja a exigir ao primeiro-ministro e ao Governo que venha pedir desculpas às vitimas e às famílias das vítimas.

Para Marisa Matias a direita está a viver num reality show, o importante “não é um pedido de desculpas é apurar responsabilidades e garantir que não se volta a repetir”.

Terminou dizendo que a direita preocupa-se demasiado em “fazer filmes”, em vez de ter propostas concretas para apoio real às famílias, que ficaram sem pessoas e terrenos.

“A direita o que faz é tentar render, é politica abutre, porque não sabe o que é uma proposta para a política florestal, para o ordenamento do território e para evitar que voltemos a ter tragédias”,  

No comício de Armação de Pêra intervieram também o deputado João Vasconcelos e Rui Barradas, candidato à Câmara Municipal de Silves. 

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