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Trabalhadores do Infarmed apontam riscos da mudança do instituto

A decisão de mudar o Infarmed para o Porto apanhou de surpresa os trabalhadores, que querem conhecer a “fundamentação técnica” da medida e discutir o assunto com Belém e São Bento.
Trabalhadores reagiram mal ao anúncio surpresa da mudança do Infarmed para o Porto. Foto Infarmed

O plenário de trabalhadores do Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I. P., convocado após o anúncio da mudança das suas instalações para a cidade do Porto, foi muito crítico da decisão do governo, que a comissão de trabalhadores qualifica de “inesperada e extemporânea”. E lembram que o plano estratégico do Infarmed 2017-2019, homologado há menos de dois meses pelo ministro a Saúde, não colocava qualquer cenário de mudança de sede.

Questionados no plenário sobre a sua opinião quanto à mudança, mais de 90% das 321 respostas dos funcionários indicaram que não estão disponíveis para essa mudança. “Estes resultados demonstram a inequívoca união dos nossos trabalhadores perante uma situação inesperada para a qual não foi apresentada qualquer fundamentação técnica”, disse Rui Spínola, citado pelo Público.

“Dado que 97% dos trabalhadores reunidos em plenário não concordam com a eventual transferência, esperamos que o senhor ministro da Saúde seja consequente com o compromisso assumido, em reunião realizada hoje, de que não será tomada nenhuma decisão definitiva que ponha em causa a missão do Infarmed e o respeito pela vontade manifestada pelos seus trabalhadores", prosseguiu o coordenador da comissão de trabalhadores.

Rui Spínola elencou alguns dos “riscos” associados à transferência da sede do Infarmed: desde a perda de quadros “altamente experientes” à perda de influência no contexto europeu, passando por dificuldades de coordenação e articulação ou a “perturbação nas actividades nacionais e internacionais relacionadas com a indústria farmacêutica nacional e a sua internacionalização, criando reais constrangimentos à exportação de medicamentos”.

Para já, os trabalhadores querem debater a proposta do governo com os diversos grupos parlamentares, o primeiro-ministro e o Presidente da República, a quem irão pedir audiências. O anúncio do governo de mudar o Infarmed para o Porto foi feito após ser conhecida a escolha de Amesterdão para a nova sede da Agência Europeia do Medicamento, afastando outras cidades candidatas, entre as quais a do Porto.

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