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Trabalhadores da PT podem intensificar a luta depois das férias

Protesto dos trabalhadores da PT, em Aveiro, contra a transferência de funcionários aponta aumento de formas de luta, caso não obtenham respostas do Governo contra o despedimento encapotado que a Altice está a operar.
Concentração de trabalhadores da Altice após um plenário para discusão sobre a situação laboral na PT Portugal, em Aveiro, 1 de agosto de 2017. Foto de José Coelho/Lusa.
Concentração de trabalhadores da Altice após um plenário para discusão sobre a situação laboral na PT Portugal, em Aveiro, 1 de agosto de 2017. Foto de José Coelho/Lusa.

Num protesto em frente à PT Inovação, que contou com a presença do deputado do Bloco de Esquerda, Moisés Ferreira, os trabalhadores prometeram continuar a lutar pelos postos de trabalho, que a Altice está a pôr em causa. A dona da PT continua a usar o mecanismo de “transferência de estabelecimento” para afastar os trabalhadores para outras empresas subsidiárias da PT e não só.

"Isto é uma corrida de maratona e não vamos desistir, porque temos a razão do nosso lado e temos a força dos trabalhadores", disse à Lusa Francisco Gonçalves, da comissão de trabalhadores (CT).

Francisco Gonçalves acrescentou ainda, que após as férias os trabalhadores vão recorrer a "formas de luta mais intensas e mais mediáticas". Este membro da CT alertou que o mês de Agosto vai servir para que a nova presidente, Claudia Goya, receba os trabalhadores e para que o Governo tome uma posição em relação àquilo que está a ocorrer na Portugal Telecom, onde já se efectuaram 155 transferências para empresas da Altice, como a Tnord, a Subtel e a Visabeira.

Por causa do assédio moral que neste momento se respira na PT, Francisco Gonçalves diz que "mais de 15% já rescindiram por mútuo acordo". Além dos trabalhadores que foram transferidos, Francisco Gonçalves diz que há "trabalhadores sem funções, trabalhadores a ser chamados para rescindir, e outros que a qualquer momento podem cair numa situação destas".

Afirmou que "enquanto não resolvermos o problema do modelo social da PT, em que tenha trabalhadores motivados, com trabalho com direitos, postos de trabalho garantidos e uma empresa com futuro que faz falta a Portugal e à economia nacional nós não desistiremos".

"Se a lei não for corrigida e os trabalhadores não forem protegidos isto vai continuar"

A Lusa conseguiu o depoimento de Carmina Santos, que trabalha há 28 anos na MEO confessa-se "desiludida" com a situação que se vive na empresa e sente que tem o seu posto de trabalho ameaçado.

"Já mudei há um ano para estas novas funções e agora achamos que seremos também um alvo a abater. Já fomos alvo de uma primeira proposta de rescisão que não aceitámos, porque os valores não se coadunam", salientou.

"Nós somos pioneiros. Se a lei não for corrigida e os trabalhadores não forem protegidos isto vai continuar", alertou.

Gustavo Almeida, que trabalhava há 35 anos na PT até ter sido transferido, no mês passado, para a Tnord do grupo Altice, alerta que o que se está a passar pode dar aso “a que qualquer empresa recorra exatamente ao mesmo processo com as repercussões sociais que isso vai trazer".

Apesar de ter sido transferido para a Tnord, Gustavo Almeida diz que continua a trabalhar "na mesma secretária, no mesmo computador, com as mesmas aplicações, a fazer exatamente o mesmo trabalho que fazia antes da transição".

"Isto é como morrer na praia. Com 35 anos de casa, uma pessoa já começa a pensar que a reforma não está muito longe e há que aproveitar o tempo que falta para continuar a fazer aquilo que a empresa nos solicita e, de um dia para o outro, todas essas situações vão ser alteradas, porque uma pessoa vai para uma nova estrutura, que à partida é muito duvidosa e não transmite nenhuma segurança", denunciou.

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