As imagens do despejo violento dos ativistas que desenvolviam trabalho com a comunidade local indignaram os cidadãos do Porto, e milhares de pessoas regressaram uma semana depois à escola abandonada pela Câmara Municipal.
Mas para o Tribunal de Pequena Instância Criminal do Porto, nada disso aconteceu. O que houve, na versão do Ministério Público, foram agressões e injúrias da população contra os polícias de choque enviados por Rui Rio para desocupar a escola e permitir a posterior entrada de funcionários municipais, que dias depois arrancaram as canalizações e deixaram o edifício praticamente irrecuperável.
Assim, o Tribunal condenou a cinco meses de prisão, com pena suspensa uma das pessoas detidas a 19 de abril, por uma "bengalada" que atingiu um dos polícias. Segundo a agência Lusa, a procuradora do Ministério Público usou da ironia para recomendar a pena ao arguido: “Deverá ser condenado a uma pena de prisão curta, suspensa, com deveres relativos à sua grande propensão para assuntos sociais”, sugerindo a participação em “programas de trabalho na área social”. Nas declarações finais, o arguido esclareceu que não pertence ao coletivo Es.col.a e que apenas ali se deslocava "para comer de borla", devido ao estado de pobreza em que se encontra.
"O juiz foi parcial. Considerou credível apenas uma das testemunhas [o agente policial] e não outras três que desdisseram o agente", afirmou José Freitas, que voltou a afirmar não ter agredido ninguém e que este "foi um julgamento político", no qual o tribunal se sentiu "na obrigação de proteger o sistema".
Outras duas pessoas foram condenadas a pagar 750 euros de multa por agressões e injúrias, com a procuradora a reconhecer que só foram presas na Fontinha porque “eram os mais agressivos” dos manifestantes que se juntaram à porta da escola naquela manhã. Os arguidos negaram por completo as acusações, com um deles a dizer que tinha de “ser um ‘kamikaze’ para fazer aquilo” de que está acusado, dada a sua estrutura física "franzina". O outro disse em tribunal que foi atingido por duas vezes com uma arma taser, proibida em muitos países por ser potencialmente mortal, e acrescentou que “a coisa mais parecida com um insulto que disse foi ‘fascista’”.
Comentários
Vai haver recurso? Estou convencido de que apesar de tudo, os tribunais superiores costumam ter um pouco mais de competência (ou um pouco mais de vergonha) ao julgar casos como este. Se a polícia agride os cidadãos (em vez de cumprir a sua missão, que consiste em protegê-los) e os tribunais não nos defendem dos criminosos que há na polícia, estamos muito mal. Será talvez necessário um juiz levar uma cacetada da polícia "por engano" para que algo mude.
Voltamos aos Julgamentos PIDESCOS?"Quem vai à guerra dá e leva!O Agente levou no focinho... ainda bem!Normalmente somos nós, os desgraçados que vão para estes eventos despreparados e sem o mínimo de recursos para este tipo de confrontos, ao contrário dos "Srs. Agentes" que vão armados até aos dentes!... e quando houver confrontos, para a próxima há-de ser pior. Espero que o Agente fique sem os Dentes!
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