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Teolinda Gersão vence Prémio Literário Vergílio Ferreira

O Prémio Literário Vergílio Ferreira 2017 foi atribuido à romancista Teolinda Gersão.
O júri destacou a alta qualidade da arte narrativa de Teolinda Gersão. Foto Kontestu
O júri destacou a alta qualidade da arte narrativa de Teolinda Gersão. Foto Kontestu

Instituído pela Universidade de Évora (UÉ), em 1997, o Prémio Vergílio Ferreira visa distinguir, anualmente, o conjunto da obra literária de um autor relevante de língua portuguesa na área da narrativa e/ou ensaio.

A vencedora da 21.ª edição do galardão foi escolhida esta quinta-feira, após uma reunião do júri do prémio, presidido por António Sáez Delgado e que, este ano, contou com Pedro Ferré, Mário Avelar, Gustavo Rubim e Elisa Esteves.

A decisão do júri em atribuir o prémio a Teolinda Gersão foi justificada pela "alta qualidade da arte narrativa expressa nos vários géneros de ficção clássica, em particular o romance e o conto".

Uma obra sem cedências

Para os elementos do júri, o seu percurso literário "adquire especial relevo pela independência da escritora relativamente a todas as modas ou tendências que, de alguma forma, condicionam os caminhos da literatura contemporânea".

Nascida Coimbra, Teolinda Gersão, de 76 anos, estudou germanística, romanística e anglística nas universidades de Coimbra, Tubingen e Berlim.

Posteriormente, foi Leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, assistente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou Literatura Alemã e Literatura Comparada.

O prémio Literário Vergílio Ferreira foi atribuído pela primeira vez a Maria Velho da Costa, seguindo-se o escritor moçambicano, Mia Couto, Almeida Faria, Eduardo Lourenço, Agustina Bessa Luís, Vasco Graça Moura, Mário Cláudio, Luísa Dacosta, José Gil, Hélia Correia e Lídia Jorge, entre outros.

A edição de 2016 distinguiu o escritor João de Melo.

Liberdade conquistada a pulso”

Em declarações à Lusa, Teolinda Gersão - que editou recentemente o livro de contos Prantos, Amores e outros Desvarios (Porto Editora) -  afirmou que "conquistou a pulso a sua liberdade de escrita" tendo ainda adiantado que "se sente honrada com a distinção".

“Como eu não vivo da escrita, eu conquistei a pulso a liberdade de escrever de uma maneira totalmente livre, sem prazos, sem nenhuns espartilhos, apenas aquilo que o meu modo de ver as coisas, a minha consciência e maneira de ver as coisas me leva a escrever”, afirmou a escritora, tendo acrescentado: “Escrevo o que acho que deve ser dito, um testemunho sobre a minha época, sobre o que consegui apreender do mundo e também as lições de vida que fui tendo”, sublinhou.

A escritora fez ainda questão de dizer que não se “preocupa com as reações ao que escreve" porque isso “seria um entrave à liberdade de escritor”.

“Não estou preocupada com o público ou com os críticos, nem se o livro vai agradar ou não, só me interessa escrever aquilo que eu acho que faz sentido ser dito e que quero transmitir às outras pessoas”, declarou.

A cerimónia de entrega do Prémio está marcada para o dia 1 março, na Universidade de Évora, data em que se assinala a morte do escritor Vergílio Ferreira.

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