"Continua como princípio base a assunção que Portugal não vai reganhar acesso completo ao mercado de capitais nos próximos 12 meses e antecipamos uma extensão do programa de financiamento oficial, provavelmente proveniente de forma maioritária do Mecanismo Europeu de Estabilidade”, adianta a agência de rating Standard & Poor’s (S&P) num relatório publicado esta quinta feira, no qual mantém a nota de Portugal em BB, e a perspetiva negativa devido à exposição do país às contingências de uma “ligação comercial e financeira próxima com Espanha”.
“A perspetiva negativa no nosso rating para Portugal reflete a nossa visão dos riscos para os progressos do Governo na implementação de reformas estruturais e orçamentais. Os riscos decorrem principalmente da possibilidade de uma contração do PIB ainda mais profunda do que o antecipado, ligada à desavalancagem do sector financeiro e a um enfraquecimento da procura externa como resultado de problemas económicos e financeiros em Espanha”, sublinha a Standard & Poor’s.
A dívida pública portuguesa irá atingir, segundo a S&P, os 119 por cento do PIB em 2013 e o cumprimento das metas orçamentais poderá estar comprometido em especial pela possível inclusão no universo das administrações públicas, para efeito de cálculo do défice, de algumas entidades que atualmente não são contabilizadas, como é o caso das Parcerias Público Privadas.
“Vemos também o risco de que o alcance da consolidação geral do Governo se alargue para incluir entidades adicionais do sector público que dependem fortemente de transferências governamentais, resultando numa revisão em alta da dívida. Contratos de Parcerias Público-Privadas (PPP), sobretudo para projetos de infraestruturas, podem também colocar riscos contingentes”, avança a S&P no seu relatório.
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