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Somague anuncia despedimento de 300 trabalhadores

Sindicato da Construção recomenda aos trabalhadores no ativo que não aceitem rescisão. Sublinhando que o melhor que a Somague “teve e ainda tem hoje é o capital humano", a estrutura sindical lamenta que a empresa seja agora "a campeã dos despedimentos".
Foto de Estela Silva.

A Somague comunicou esta terça-feira que vai avançar com um despedimento coletivo de cerca de 300 dos seus trabalhadores, alegando que a atual atividade “não comporta os 600 trabalhadores” que a empresa tem em Portugal.

“Os trabalhadores foram chamados esta manhã pela administração e informados que a empresa pretende iniciar um processo de despedimento coletivo que irá abranger à volta de 300 pessoas. Não foram dados quaisquer outros pormenores, apenas que se iriam seguir os contactos individuais com cada um dos que a Somague pretende despedir. Não sabemos mais, só que há muitas pessoas nesta casa, com mais de 15 e 20 anos aqui, que não conheceram nunca outra empresa”, afirmou na terça-feira um trabalhadores da construtora, em declarações ao Dinheiro Vivo.

Sindicato recomenda aos trabalhadores no ativo que não aceitem rescisão

O presidente do Sindicato da Construção, Albano Ribeiro, informou esta quarta-feira, em conferência de imprensa, no Porto, que a Somague já chamou 170 trabalhadores para rescisão de contrato no âmbito do despedimento coletivo, dos quais 55 "estão ativos" em obras quer em Portugal como no estrangeiro.

Segundo Albano Ribeiro, é “estranho que trabalhadores que estão nas barragens da Caniçada e do Tua, por exemplo, estejam a ser chamados para fazer acordo", já que apenas faria sentido chegar a acordo com aqueles que "estão na inatividade", para quem a rescisão pode ser "importante", face à sua idade e ao facto de estarem sem trabalhar "há dois ou três anos".

O presidente do Sindicato da Construção salientou que, apesar de o despedimento coletivo ser "uma ferramenta" legal, prevista no Código do Trabalho, "há condições" que "não foram respeitadas". Em causa está, designadamente, o facto de nada ter sido conversado com os delegados sindicais e/ou o sindicato e de o Ministério da Economia não ter sido notificado.

"As coisas têm de ficar claras", vincou Albano Ribeiro, anunciando que o Sindicato já solicitou uma reunião com a administração da Somague.

Sublinhando que o melhor que a Somague “teve e ainda tem hoje é o capital humano", o dirigente sindical lamentou ainda que a empresa seja agora "a campeã dos despedimentos".

A construtora fez um despedimento coletivo de 273 pessoas em 2015 e, em 2017, já fez mais de 40 propostas de rescisão ou de transferência.

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