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Solução à esquerda “teria sido impossível” com maioria absoluta do PS

No almoço distrital de campanha em Lisboa, este domingo, Catarina Martins e Ricardo Robles falaram sobre a “tragédia” das maiorias absolutas do Partido Socialista e a necessidade de garantir que a esquerda tem uma palavra a dizer em Lisboa.
“Foi da força da esquerda que saiu uma Esquerda plural que permitiu ao país avançar” e, para isso acontecer em Lisboa, “precisamos de retirar a maioria absoluta ao PS”, afirma Ricardo Robles.
"Lisboa tem tudo a perder com o poder absoluto, e tem tudo a ganhar com compromissos exigentes", concluiu.  

Num comício que teve lugar no Capitólio e que contou também com as intervenções de Mariana Mortágua e Luís Fazenda, Amílcar Morais começou com uma intervenção em língua gestual portuguesa para sinalizar o dia mundial do surdo e, relembrou que “não se sabe efetivamente quantas pessoas surdas existem em Portugal”, uma vez que os próprios censos “não perguntam se uma pessoa é surda ou não”.

Por seu lado, Luís Fazenda lançou um forte sinal de “solidariedade do Bloco de Esquerda pela Catalunha”, onde o desejo “vingativo e revanchista de Mariano Rajoy” [primeiro-ministro de Espanha] bem como da “monarquia espanhola, para reprimir o desejo histórico secular de emancipação da Catalunha” atacam o direito à autodeterminação.

Foi o fim das maiorias absolutas que trouxe estabilidade aos portugueses

A coordenadora do Bloco relembrou que, nas eleições legislativas de 2015, “se o Partido Socialista tivesse tido maioria absoluta, esta solução política nunca teria sido possível”.

"Talvez a coisa mais importante que o país descobriu foi que as maiorias absolutas são uma má ideia. O Bloco contribuiu para uma solução política, para uma maioria plural em que Partido Socialista, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português souberam construir compromissos mínimos para salvar o país". 

“António Costa diz hoje que se o PS tivesse maioria absoluta, ia dar ao mesmo. Não é verdade. Se assim tivesse sido, o país estaria diferente. Basta olhar para o que era o programa do Partido Socialista nas últimas eleições”, disse.

“Trabalhamos com o PS por uma política de criação de emprego, mas não nos esquecemos que no programa do PS se propunha a liberalização dos despedimentos", exemplificou.

"Trabalhamos com o PS aumentar as pensões, mas não nos esquecemos que no programa do PS se previa o seu congelamento. Trabalhamos com o PS para aumentar o salário mínimo até 600 euros mas não nos esquecemos que no programa do PS se criava um subsídio às empresas que pagam salários miseráveis", relembrou.

“Quem quer maiorias absolutas, fala de estabilidade. Mas os portugueses sabem hoje que foi o fim das maiorias absolutas que trouxe estabilidade às suas vidas”, concluiu.

Prioridades para soluções à esquerda em Lisboa

Mariana Mortágua analisou as campanhas dos diferentes partidos e concluiu que "toda a gente tem um título para nomear a cidade de amanhã. Mas no dia 1 de outubro não estamos aqui para julgar os títulos do amanhã mas sim a prática do seu passado”, continuou.

“E se há alguém que não se pode esconder por detrás de títulos, é Fernando Medina”, diz. O candidato do Partido Socialista “representa hoje 8 anos de maioria absoluta. Medina teve dinheiro, teve condições, teve poder. E não pode apresentar-se hoje com promessas sobre o que não fez durante oito anos”, concluiu.

Para Ricardo Robles, “foi da força da esquerda que saiu uma Esquerda plural que permitiu ao país avançar” e, para isso acontecer em Lisboa, “precisamos de retirar a maioria absoluta ao PS”, afirma.

“Alguém acredita que Medina irá abrir as 60 creches que prometeram desde 2009? Alguém acredita que irá criar regras para o alojamento local? Claro que não. Uma maioria absoluta de Fernando Medina serão mais quatro anos de tempo perdido dos lisboetas”, avisa.

“Candidato-me a vereador e o meu objetivo é ser vereador. É estar lá. A cidade é tratada como um trampolim, e merece melhor. A cidade olha para a Direita e vê que não tem alternativas”, acusa Ricardo Robles. "Teresa Leal Coelho candidata-se para salvar Passos Coelho, e Cristas para se salvar a si própria”.

“É por isso”, diz, “que a grande decisão do próximo domingo é se Fernando Medina vai governar com poder absoluto, ou se a Esquerda tem uma alternativa”.

E define condições e prioridades para "uma Lisboa à esquerda": “enquanto vereador do Bloco de Esquerda estou pronto, disponível para me sentar e discutir soluções, e assumir responsabilidades no executivo para, pelo menos, recuperar o Metro e a Carris, substituir a PPP de habitação por um programa 100% público de 7500 casas. Construir as 48 creches que ficaram por abrir. Garantir que a taxa turística, que neste momento é gerida pelos próprios hotéis, passa a ser gerida pelo município para investimento na habitação camarária”.

"Lisboa tem tudo a perder com o poder absoluto, e tem tudo a ganhar com compromissos exigentes", concluiu.  

Autárquicas 2017: Almoço distrital de Lisboa | ESQUERDA.NET

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