Os programas austeritários cegos, impostos pelos governos da troika aos portugueses em geral, e aos madeirenses em particular, estão a criar situações de miséria extrema de contornos dramáticos, denunciou a Comissão Coordenadora Regional do Bloco Madeira, reunida esta segunda-feira.
Os bloquistas afirmam que "sucedem-se os relatos de famílias inteiras sem ter o que comer, com crianças que passam fome e que, algumas delas, de acordo com informações que nos têm sido relatadas, têm recorrido a apoio médico com sintomas de subnutrição".
A Coordenadora diz não entender "como é possível que a Secretaria Regional da Educação se alheie desta dura realidade e não garanta, em alguns concelhos, o fornecimento de refeições, nas cantinas das escolas, a centenas de alunos que nestas férias [da Páscoa] foram obrigadas a jejuar".
Governo Regional é responsável
Os bloquistas madeirenses responsabilizam diretamente o Governo Regional pela fome “que é, infelizmente, companheira persistente de uma parte importante das famílias madeirenses: o Programa de 'Ajustamento' Financeiro, assinado por Alberto João Jardim e Ventura Garcês, deu a machadada final na já frágil situação de milhares de pessoas. O aumento de impostos, os cortes salariais e nas pensões, o aumento do número de desempregados para valores catastróficos, a
retirada de subsídios sociais a outros tantos milhares, a sobrecarga com a dívida monumental criada pelo Executivo Regional, aliado a políticas de miséria impostas pelo governo da troika de Passos Coelho e Paulo Portas, sempre apoiado por AJJ e JMR, criaram uma situação insustentável a nível social, mas também a nível político.”
Fraude monumental
A Coordenadora do Bloco constata que o Governo Regional, e a maioria que o sustenta, “foram
eleitos com base numa fraude monumental” e, por isso mesmo, entende que “o mínimo que se exige ao Presidente da República é a dissolução do Parlamento da Madeira e a convocação de novas eleições regionais, para que os madeirenses, espezinhados e enganados, possam ter a possibilidade democrática de eleger um novo parlamento de onde possa emergir um novo Governo Regional que dê respostas adequadas à urgência social de que a Madeira padece”.