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Sindicatos convocam greve contra despedimentos fraudulentos na PT

As organizações dos trabalhadores da Portugal Telecom convocaram uma greve para dia 21 de julho. A empresa Altice, dona da PT, quer usar o mecanismo de “transmissão de estabelecimento ou empresa” para despedir centenas de trabalhadores. Bloco já pediu a intervenção do Governo.
Edifício da Portugal Telecom em Lisboa – Foto de Mário Cruz/Lusa

A utilização da “transferência de estabelecimento” surge após o primeiro-ministro ter afirmado no Parlamento que o Governo não iria dar o aval à gestora da PT para despedimentos encobertos sob a figura de “empresa em reestruturação”. Em causa estava a alegada intenção da empresa de despedir cerca de 3000 trabalhadores.

Desde que a Altice comprou a PT na sequência da sua privatização, em junho de 2015, têm-se somado os episódios de assédio moral, nomeadamente por via do esvaziamento de funções de centenas de trabalhadores (inicialmente colocados numa designada “Unidade de Suporte”), e a pressão, por parte da Administração, para que sejam aceites rescisões por mútuo acordo.

Em denúnicas feitas à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), os trabalhadores referem que os últimos tempos têm sido de desregulação dos horários e das mudanças de atribuições de posto de trabalho, criando “um clima de terror na empresa”.

A greve geral convocada pelos sindicatos e pela comissão de trabalhadores da PT Portugal - a primeira em dez anos - conta com a solidariedade do Bloco de Esquerda.

Pela voz do deputado José Soeiro, o Bloco afirma-se “solidário com esta greve dos trabalhadores, para que a Altice veja que Portugal não é um faroeste no que diz respeito à legislação laboral, para garantir o respeito por quem trabalha e para defender uma empresa que tem um papel estratégico na economia portuguesa”.

Bloco questiona Governo e Administração

O deputado do Bloco de Esquerda, José Soeiro, entregou uma pergunta para pedir esclarecimentos sobre os “expedientes legais” que a nova dona da PT, o grupo Altice, está a utilizar para se ver livre dos trabalhadores, por via da transferência de centenas de trabalhadores para outras empresas como a Winprovit, Visabeira, Tnord e Sudte.

Segundo afirma o deputado ao esquerda.net, estamos perante uma tentativa de criar um processo de “assédio moral de larga escala” com o objetivo de “desmembrar a empresa”.

O Bloco de Esquerda já pediu esclarecimentos à Autoridade para as Condições do Trabalho para revelar os resultados das ações inspetivas que tiveram lugar nas últimas semanas na Portugal Telecom. Para José Soeiro, a Altice está a atuar como uma empresa “abutre”, pois pretende desmembrar a empresa, ficando só com um pequeno núcleo da Portugal Telecom, que comprou durante o Governo PSD/CDS.

A Comissão de Trabalho e Segurança Social no Parlamento receberá no próximo dia 12 de julho Paulo Neves, chairman e CEO da PT Portugal, que será questionado pelos deputados sobre a reestruturação em curso na empresa.

José Soeiro interpela Governo sobre a situação dos trabalhadores da MEO- PT

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Comentários

Era bom que o BE tomasse atenção ao que se está a passar com os trabalhadores da CGD, designadamente das pressões que os seus colaboradores estão a sofrer para abandonarem a empresa antes de reunirem o tempo necessário para a aposentação isto é 60 anos de idade e 36 anos de descontos para a CGA.

Na realidade a verdade na MEO e muito palidamente ilustrada pelo que se ve na comunicacao social. O total desprezo pelas pessoas e constante e os chefes (ou capatazes) colaboram de forma prazenteira (ate chegar a vez deles).
As devidas desculpas pela falta de pontuacao.

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