RTP: Trabalhadores querem pronunciamento de Paulo Portas

CT envia carta aberta ao ministro a pedir uma posição clara sobre o desmantelamento da RTP, lembrando que o líder do CDS era contra a privatização da televisão pública.
Paulo Portas era contra a privatização da RTP. Foto de rtppt

A Comissão de Trabalhadores da RTP dirigiu ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, uma carta aberta em que lhe pede que “se pronuncie claramente” sobre o desmantelamento a que está a ser submetida a televisão pública, e especificamente sobre “o fim da onda curta, o fim da rádio de proximidade, o fim da autonomia técnica da RTP e a pouca-vergonha sem fim dos vencimentos milionários” de dois administradores da televisão pública que obtiveram uma excepção em relação aos cortes salariais decretados pelo governo.

A carta justifica-se, afirma a CT, porque o ministro chegou ao governo com um programa e com compromissos assumidos perante o eleitorado. “Desses compromissos fazem parte, senhor ministro, as suas tomadas de posição já em 2002 contra a privatização da RTP, mais recentemente confirmadas pelo grupo parlamentar do CDS-PP”, recorda a CT, que afirma que tal “lastro político, no melhor sentido, coaduna-se mal com um cheque em branco à ordem do dr. Miguel Relvas”.

A CT recorda também “alguma manifestação de distanciamento” tomada pelo deputado centrista Raul d’Almeida”, que teve “o bom senso de se demarcar de certos aspectos do negócio da TDT e de certas implicações da excepção aberta para os vencimentos dos dois administradores”.

Os representantes dos trabalhadores afirmam que “o que está em causa não é agora um ou outro aspecto, nem uma ou outra crítica pontual, mas uma linha de rumo”, que é a do desmantelamento da RTP, que já se encontra em curso. “A aplicação subreptícia do plano de desmantelamento já está a traduzir-se em danos irreversíveis para o interesse público. E é sobre esses danos que a Comissão de Trabalhadores da RTP gostaria de conhecer a sua posição, senhor ministro”.

Os trabalhadores pedem a Paulo Portas que não siga o exemplo do ministro Vítor Gaspar, “que há três meses recebeu uma carta aberta desta CT contra a abertura da excepção para os vencimentos dos administradores da RTP” e que se remeteu ao silêncio e “acabou agora por dar satisfação à voracidade de uma comissão liquidatária e à pressão dos lobbies que se agitam nos bastidores do processo de privatização”.

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