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Roteiro para a Neutralidade Carbónica é “uma mão-cheia de nada”

A apresentação feita esta quarta-feira pelo primeiro-Ministro e pelo Ministro do Ambiente de um roteiro para a neutralidade carbónica 2050 revelou-se “um total vazio”, acusa a associação Climáximo. Para cumprir o Acordo de Paris, os números anunciados pelo primeiro-ministro “falham com um erro de 75%”. 

A apresentação feita esta quarta-feira pelo primeiro-Ministro e pelo Ministro do Ambiente de um roteiro para a neutralidade carbónica 2050 revelou-se “um total vazio”, acusa a associação Climáximo. Para cumprir o Acordo de Paris, os números anunciados pelo primeiro-ministro “falham com um erro de 75%”. 

A proposta do governo “não passa de um exercício retórico e de contabilidade criativa, relegando para um plano totalmente acessório os necessários cortes de emissões de gases com efeito de estufa e colocando Portugal numa perigosa rota para o caos climático”, acusa a associação ambientalista Climáximo em comunicado de imprensa.

A proclamação da “ambição” de metas anunciada por António Costa, de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa entre 30 e 40% em relação a 2005 “não passa de contabilidade criativa”, dizem. Segundo a APA, entidade responsável pela contabilização das emissões de GEE para Portugal, em 2005 foram emitidas 86,3 Mt CO2eq, em 2015 68,9 e em 2016 (dados provisórios) 66,5 Mt. 

Ora, segundo a Climáximo, para 2030, uma redução de 30 a 40%, resultaria nas 52 a 60 Mt, o que equivaleria a uma redução de 12 a 25% (8 a 17 Mt) em relação a 2015, ou 9 a 22% (6 a 15 Mt) em relação a 2016. 

Para cumprir o Acordo de Paris e almejar ao aumento máximo de temperatura de 2ºC até 2100, Portugal deve atingir próximo das 24 milhões de toneladas cúbicas em 2030, o que requereria um corte não de 5-14 milhões de toneladas cúbicas, mas sim de 44 milhões de toneladas cúbicas. Para cumprir o Acordo de Paris, "os números anunciados ontem pelo primeiro-ministro falham com um erro de 75%".

Para a associação, ficam por responder vários questões: "Como pretende o governo atingir a “neutralidade” quando continuam em vigor 9 contratos de concessão para exploração de petróleo e gás, e uma legislação petrolífera que abre a porta a ainda mais concessões e a um aumento das emissões"?

"Como pretende o governo substituir os transportes individuais a gasolina e gasóleo, assim como o transportes de cargas rodoviários, que se cifram nos 6 milhões e emitem 16 milhões de metros cúbicos de CO2-eq (que contribuem ainda para 6600 mortes prematuras por ano devido à poluição que produzem) sem uma aposta massiva em transportes públicos"?

"Irá o governo encerrar as centrais termo-elétricas de Sines e do Pego, responsáveis por perto de 20% das emissões nacionais (15% e 5% aproximadamente)? Irá o governo permitir a instalação de mais infraestruturas de gás no país"?

Acresce ainda que a procura pela “neutralidade carbónica” ignora a floresta, o maior “sumidouro de carbono” que está a perder progressivamente a sua capacidade de retirar carbono da atmosfera, quer por causa dos incêndios anuais massivos quer por causa da perda inequívoca de área florestal (desapareceram 10 mil hectares de floresta/ano nos últimos 25 anos).

“O actual programa do governo para as alterações climáticas esconde a inação numa mão-cheia de nada quando é urgente agir decididamente. Convidamos os membros do governo a estarem presentes na sessão”, concluem.

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