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Rajoy recusa encontrar-se com Puigdemont

No dia seguinte às eleições catalãs, que renovaram a maioria absoluta dos independentistas, Carles Puigdemont propôs um encontro fora do estado Espanhol, mas o Primeiro-ministro, Mariano Rajoy, recusou, dizendo ainda que o Artigo 155.º só será levantado "quando houver um novo governo na Catalunha".
O Primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, recusou o apelo de Carles Puigdemont, afirmando que só irá falar "com quem ganhou as eleições, que foi a senhora Arrimadas [cabeça de lista do Ciudadanos]". Foto de Ruan Carlos Hidalgo/ EPA/ LUSA.

"Estou pronto para me encontrar com Mariano Rajoy, em Bruxelas ou em qualquer outro local da União Europeia que não seja o Estado espanhol, por razões evidentes", foi o apelo do presidente destituído da Generalitat, numa conferência de imprensa em Bruxelas, esta manhã.

Carles Puigdemont encontra-se exilado em Bruxelas, tendo sido acusado por "rebelião e sedição", no âmbito do processo do referendo de 1 de outubro, sobre a independência da Catalunha, e arrisca-se a ser detido, caso regresse a Espanha.

"Ganhámos o direito de ser ouvidos", disse Puigdemont, defendendo que a reunião deveria realizar-se "sem condições prévias" e adiantando que daria ao chefe do Governo espanhol "uma oportunidade para começar a colocar-se do lado das soluções e não criar mais problemas".

Acompanhado de vários membros do movimento Juntos pela Catalunha, que foi o segundo mais votado nas eleições regionais, Puigdemont assegurou sempre ter tido "como via prioritária o diálogo" e pediu ainda à Comissão Europeia que "ouça o povo catalão e não apenas o Estado espanhol".

Rajoy não admite diálogo com Puigdemont

Na conferência de imprensa desta sexta-feira à tarde, sobre os resultados das eleições na Catalunha, o Primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, recusou o apelo de Carles Puigdemont, afirmando que só irá falar "com quem ganhou as eleições, que foi a senhora Arrimadas [cabeça de lista do Ciudadanos]".



Questionado pelos jornalistas sobre se admite encontrar-se com Puigdemont, caso este venha a ser o líder de um Governo formado pelos partidos independentistas, Rajoy deu apenas uma resposta institucional: "Tenho de falar com a pessoa que vier a exercer a presidência da Generalitat".

Afirmando que o Artigo 155.º só será levantado no prazo estabelecido pelo Senado, isto é, "quando houver um novo governo na Catalunha", o líder do governo de Madrid advertiu que a situação processual de Carles Puigdemont, e dos restantes dirigentes independentistas catalães indiciados em processos judiciais, alguns deles detidos, não depende "em absoluto" do resultado das eleições autonómicas, mas das decisões dos juízes. "São os políticos que se devem submeter à justiça, como qualquer cidadão, e não a justiça que deve submeter-se a qualquer estratégia política", disse.

Rajoy garantiu ainda que irá até ao fim da legislatura e sublinhou que os resultados das eleições catalãs "não são, como nunca foram, extrapoláveis a nível nacional".

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