Rajoy disposto a capitalizar a banca

O Governo espanhol aprova na sexta-feira um novo decreto para salvar o sistema financeiro e não descarta, em caso de urgência, que o Estado injete dinheiros públicos no sector, afirmou esta segunda-feira o líder do executivo, Mariano Rajoy.
Na entrevista, Rajoy afirmou que “pensava ter recebido um país com uma gripe, mas afinal estava já com uma pneumonia”.  Foto Javier Lizon/EPA/LUSA.
Na entrevista, Rajoy afirmou que “pensava ter recebido um país com uma gripe, mas afinal estava já com uma pneumonia”. Foto Javier Lizon/EPA/LUSA.

Mariano Rajoy admite injetar dinheiro público na banca para manter o setor capitalizado. A medida será de último recurso, mas não está fora dos planos. Na primeira grande entrevista após ter sido eleito, em Novembro do ano passado, o primeiro-ministro espanhol anunciou que está a preparar um novo decreto com medidas importantes para o setor financeiro, que irá ser apresentado na próxima sexta-feira.

No estúdio da Rádio Onda Cero, Rajoy não desvendou o conteúdo da lei que está a ser preparada, mas referiu que não quer que restem dúvidas sobre a saúde da finança espanhola. Para isso, admite fazer tudo o que for preciso.

Um dos elementos centrais do decreto a aprovar em Conselho de Ministro é a fixação do “preço real” das casas que atualmente estão nos balanços dos bancos para que estes ativos imobiliários sejam vendidos “ainda que todos percam dinheiro, promotores e bancos”.

Afirmando não ser partidário de um 'bad bank' – um banco que poderia gerir os ativos imobiliários problemáticos – Rajoy disse que o objetivo é garantir “clareza” e que os bancos “possam financiar-se fora de Espanha”.

Rajoy pensava ter recebido um país com uma gripe, mas afinal estava já com uma pneumonia

Nesta entrevista, Mariano Rajoy explicou que pôr a economia a crescer e dar condições para as empresas terem acesso ao crédito é um objetivo muito importante, mas a prioridade do governo espanhol continua a ser outra. Madrid vai continuar a apostar no combate ao défice, porque enquanto as contas públicas não estiverem em ordem, Espanha não ultrapassa os erros do passado, de gastar mais do que podia, explicou. Rajoy confirmou ainda que, se for necessário, o Estado central intervirá em casos de Governos regionais que não reduzam o seu défice.

Em Abril, a taxa de desemprego desceu 0,14 por cento, devido ao emprego sazonal da Semana Santa. Contudo, o desemprego em Espanha continua muito elevado e ronda os 24,4 por cento. São valores que aparentemente deixam Mariano Rajoy descontente, mas não o demovem do seu objetivo. Na entrevista, o governante avisou mesmo que 2012 vai ser um ano mau para a Espanha.

Ao longo de mais de 50 minutos, Rajoy falou, ainda, sobre a pesada herança que recebeu. Afirmou que “pensava ter recebido um país com uma gripe, mas afinal estava já com uma pneumonia”.

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