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“Quem vive da agricultura não viu o seu rendimento a crescer”

Catarina Martins visitou a Feira da Agricultura em Santarém e sublinhou a importância do combater aos setores rentistas da economia, como a grande distribuição que retira rendimento aos agricultores.
Catarina Martins e Carlos Matias na Feira Nacional de Agricultura. Foto esquerda.net

Questionada pelos jornalistas sobre os indicadores positivos da economia, a coordenadora do Bloco afirmou que “a lição a retirar do caminho que está a ser feito é que ele deve ser aprofundado, porque ainda não voltámos sequer à legislação laboral que existia antes da troika. Os salários ainda não foram valorizados como deviam, a precariedade não está a ser combatida como deve, por isso temos um longo caminho a fazer”.

Entre o que falta fazer, Catarina destacou o combate aos setores rentistas na economia, como os grande distribuição que esmaga as margens dos produtores. “Se a agricultura em Portugal aumentou bastante a sua produtividade, quem vive da agricultura não viu o seu rendimento a crescer, pois esse rendimento extra para sempre parar a uns poucos”, denunciou a coordenadora do Bloco, acompanhada do deputado Carlos Matias, eleito pelo distrito de Santarém.

“Se o nosso país pensar um pouco mais na soberania alimentar, estará também a proteger a sua economia, a saúde pública e o ambiente”, resumiu Catarina este sábado na Feira Nacional da Agricultura em Santarém.

Fitch e Ecofin: Se o país melhorou, "foi por não seguirmos os conselhos dessas instituições"

Reagindo à revisão da perspetiva da agência de notação Fitch e a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, e sem esconder a posição crítica que o Bloco sempre teve em relação às agências de notação, Catarina lembrou que “há indicadores económicos no nosso país que ninguém pode ignorar”.

“A pressão internacional sobre o nosso país não vai diminuir. Tanto a Comissão Europeia, como o Eurogrupo ou as agências de notação continuam a confundir reformas com cortes”, alertou a coordenadora bloquista, concluindo que os recentes elogios não significam que essas instituições tenham mudado de posição. Pelo contrário, “continuam a dizer que o país deve fazer tudo aquilo que felizmente não foi fazendo para haver crescimento económico”.

“Se em Portugal foi possível alguma melhoria, foi por não seguirmos os conselhos dessas instituições internacionais que sempre quiseram menos salário, menos pensão, menos serviços públicos e mais privatizações“, sublinhou Catarina, apontando em seguida o caminho que defende para o próximo período: “O nosso país tem de aumentar a sua determinação na valorização dos salários, das pensões e dos serviços públicos, para garantir que continuamos a ter algum crescimento económico e que não voltamos atrás”.

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