Numa declaração em nome do PSD, na Assembleia da República, o deputado e vice-presidente da bancada Miguel Frasquilho afirmou que as revisões do cenário macroeconómico e das metas orçamentais “deixam à vista de todos que o programa original apresentado em maio de 2011 tinha sido mal desenhado, mal concebido, com projeções e efeitos que, sabemos agora, tinham pouca ou nenhuma adesão à realidade", e destacando que, na sua opinião, o governo foi sido “capaz de convencer a troika a conceder mais tempo para realizar o ajustamento orçamental”.
Frasquilho congratulou-se por não haver mais nenhuma medida de austeridade adicional em relação ao que estava previsto. “Penso que é o reconhecimento de que, de facto, não podia continuar este caminho", acrescentou, lamentando a "calamidade" do desemprego e a recessão económica "fortíssima". E insistiu que por o programa “ter sido mal desenhado desde o seu início chegámos a uma situação pior do que aquilo que se antecipava".
Mas não explicou o que o leva a acreditar que os erros de desenho, depois da sétima avaliação, foram corrigidos e se acredita que as projeções agora têm base na realidade.
Insistir no mesmo desenho só agravará o problema
A descoberta das deficiências de desenho do programa da troika foi partilhada pelo deputado do CDS João Almeida.
"O mais importante, neste momento, é ter a consciência de que se há um desenho mal feito, insistir no mesmo desenho só agravará o problema", disse. "Mais medidas de austeridade seria erro em cima de erro. A questão é se há capacidade para possibilitar uma saída desta situação, que depende em larguíssima medida da conjuntura europeia", acrescentou João Almeida.
Questionado sobre se o CDS mantém a confiança política em Vítor Gaspar, João Almeida respondeu que se trata de matéria da exclusiva responsabilidade do primeiro-ministro e que o CDS não se imiscui em questões do Executivo, "nem sequer sobre os ministros indicados pelo CDS".