Esta praga social, que continua a agravar-se segundo as estatísticas oficiais, junta-se a seis milhões de pessoas desempregadas e a dois milhões de famílias onde nenhum dos membros tem trabalho.
As queixas por salários em atraso ou pagos parcelarmente e sem quantia nem prazo certos na Inspeção de Trabalho atingiram 7875 em 2012, mais 500 que em 2011, números que, segundo os sindicatos, estão longe de refletir a realidade existente porque são mais os trabalhadores que desistiram de apresentar oficialmente os seus casos ou que recorrem diretamente aos tribunais.
Regra geral, os atrasos nos pagamentos antecedem à suspensão pura e simples dos salários, altura em que as empresas recorrem ao Fundo de Garantia Social (Fogasa). Este tem, por sua vez, um orçamento de 843 milhões de euros, um corte de um terço em relação ao valor de 2012, enquanto o número de casos cresce de forma acelerada.
O problema dos salários em atraso, “trabalhadores que mantêm o emprego mas vivem meses e meses sem nada receber, é muito difícil de detetar”, afirma o responsável pelo gabinete económico da central Comisiones Obreras, Miguel Ángel García. “Nestes casos, o que tem de funcionar bem é a negociação coletiva, para que as partes possam chegar a acordos e a empresa atue de boa fé, sem sonegar informação crítica sobre a sua verdadeira situação”.
Artigo publicado no portal Bloco Internacional