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Portugueses sujeitos a trabalho forçado na Alemanha nazi evocados em exposição

A partir de um projeto coordenado pelo historiador Fernando Rosas, a exposição traz a público, pela primeira vez, o debate científico sobre as centenas de trabalhadores forçados portugueses apanhados nas malhas do regime alemão. No CCB, em Lisboa, até dia 22 de janeiro de 2018.
A exposição “Os Trabalhadores Forçados Portugueses no III Reich”, no CCB, poderá ser visitada até ao dia 22 de janeiro de 2018. A entrada é livre.
A exposição “Os Trabalhadores Forçados Portugueses no III Reich”, no CCB, poderá ser visitada até ao dia 22 de janeiro de 2018. A entrada é livre.

“Os Trabalhadores Forçados Portugueses no III Reich” é o título da exposição no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, que culmina o projeto de investigação do Instituto de História Contemporânea (IHC) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, apoiado pela fundação alemã EVZ – Erinnerung, Verantwortung, Zukunft (Memória, Responsabilidade, Futuro), pelo Goethe-Institut e pela Associação CIVICA (França).  O projeto foi dirigido pelo historiador Fernando Rosas, que coordenou uma equipa de investigadores de vários países europeus.

A exposição foi inaugurada no passado dia 17 de novembro e poderá ser visitada até ao dia 22 de janeiro de 2018. A entrada é livre. Mais informações aqui.

A conclusão do projeto foi também assinalada com um colóquio no Goethe-Institut de Lisboa, no passado dia 18, e com a doação de uma obra inédita à Biblioteca Nacional de Portugal.

Resgatando a memória

Trata-se da primeira exposição que aborda o tema dos portugueses de todas as origens e condições que foram sujeitos a trabalhos forçados no âmbito do sistema concentracionário do III Reich, nomeadamente durante a II Guerra Mundial.

Em declarações à Lusa, Cláudia Ninhos, membro da equipa de investigadores, destacou que "o mais interessante da exposição são as pessoas, as imagens das pessoas, porque estas são vítimas esquecidas". Na exposição, estão patentes fotografias, objetos pessoais e documentação, sobretudo do International Tracing Service, da Alemanha, que mostram os percursos individuais destes cidadãos portugueses apanhados nas malhas do regime nazi alemão.

Fruto do trabalho de investigação do projeto, foi identificada a obra “A morte Lenta: memórias dum sobrevivente de Buchenwald”, da autoria de Émile Henry, o primeiro e único livro publicado originalmente em português, na primeira pessoa, sobre uma história de vida nos campos de concentração do III Reich. Este livro foi agora oferecido à Biblioteca Nacional de Portugal, pela filha do autor, Christine Henry, e está em destaque na instituição.

O projeto de investigação iniciou-se há cerca de três anos e termina, assim, "com uma ação de resgate da memória e de responsabilidade social", lê-se no site do IHC. Fazem parte da equipa do projeto Ansgar Schaefer, Cláudia Ninhos, António Carvalho, Cristina Clímaco e António Muñoz.

Já em Maio, o IHC e o Ministério dos Negócios Estrangeiros tinham homenageado, em Mauthausen (Áustria), as vítimas portuguesas do terror nazi.

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