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Poluição está entre os dez fatores que mais matam no mundo

Em cidades como Pequim, Xangai, Hong Kong e São Paulo, problemas respiratórios, cardiovasculares, cancro e outras enfermidades causadas pela poluição não param de crescer nas estatísticas. Por Fernanda B. Müller do Instituto CarbonoBrasil
Um estudo lançado da Universidade de Pequim em conjunto com a Greenpeace concluiu que, apenas nas quatro maiores cidades chinesas, em 2012, cerca de 8,5 mil mortes prematuras foram ocasionadas pelo alto nível de micropartículas no ar. As perdas económicas chegaram a 1,08 mil milhões de dólares em Xangai, Guangzhou, Xi'an e Pequim ao longo do ano que passou. Foto da Greenpeace

A partir desta constatação, um grupo de cientistas mediu o grau de poluição global através de dados de campo, sensoriamento remoto e modelagens do transporte de elementos químicos na atmosfera e concluiu que a poluição do ar causou 3,2 milhões de mortes no mundo em 2010, um salto de 300% em relação ao nível de 2000 (800 mil pessoas).

A elevada poluição, juntamente com a obesidade, é o fator que cresce mais rápido dentre os dez que mais mortes causam no mundo. Juntando os dados de poluição externa com as informações sobre poluição interna (como o uso de lenha dentro de casa), a poluição alcança o segundo lugar do ranking.

As estimativas indicam que até 65% das mortes relacionadas com a poluição ocorrem na Ásia, especialmente devido à explosão de crescimento económico e à compra de automóveis na região.

No topo da lista dos riscos com a saúde da população está a tensão alta, o álcool e o tabagismo. O número de mortes causadas por doenças tidas como de 'países ricos', como AVC e outros males do coração, alcançou 34,5 milhões em 2010 (dois terços do total), ultrapassando os principais assassinos globais de duas décadas atrás, as infeções, desnutrição e mortes associadas ao parto. As mortes por cancro também aumentaram 38%, causando oito milhões de perdas em 2010.

Na América Latina, assim como no leste europeu, o principal fator de risco em 2010 foi o consumo de álcool. No sul da América Latina, o alto índice de massa corporal também se mostrou um fator preocupante.

As análises fazem parte do projeto 'Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study 2010' (GBD), elaborado por mais de 450 especialistas e instituições, incluindo a Organização Mundial de Saúde, e foram publicadas na edição de sexta-feira (14) da importante revista médica The Lancet. O GBD é a iniciativa com as estimativas mais completas e comparativas da gravidade das doenças e fatores de risco já lançada, cobrindo 21 regiões do globo.

Respiração Perigosa

Não é novidade que a poluição é extremamente prejudicial à saúde, porém, cada vez mais estudos confirmam o que já se sentia na pele.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, onde 90% da poluição do ar é gerada por carros, motos e camiões (segundo o Instituto Nacional de Análise Integrada do Risco Ambiental), estima-se que, sem o metro, as mortes derivadas de problemas cardiorrespiratórios aumentariam entre 9% e 14%, o que representaria um custo de 18 mil milhões de dólares à saúde pública do município.

Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo constatou que se o metro de São Paulo deixasse de funcionar por um ano, a concentração de poluentes no ar aumentaria em 75%.

Para fazer o cálculo, os investigadores compararam o nível de poluição atmosférica em dias normais com dias de greve dos trabalhadores do metro.

Outro estudo lançado nesta semana pela Universidade de Pequim em conjunto com a Greenpeace, chamado 'Respiração Perigosa', concluiu que, apenas nas quatro maiores cidades chinesas, em 2012, cerca de 8,5 mil mortes prematuras foram ocasionadas pelo alto nível de micropartículas no ar. As perdas económicas chegaram a 1,08 mil milhões de dólares em Xangai, Guangzhou, Xi'an e Pequim ao longo do ano que passou.

Porém, nem tudo são más notícias: os investigadores apontam que se estas cidades conseguirem baixar os níveis de micropartículas de acordo com as diretrizes de qualidade do ar da OMS, as mortes poderiam cair em até 81% e as perdas económicas seriam reduzidas para 868 milhões de dólares.

"Se seguíssemos os planos oficiais, precisaríamos esperar 20 anos para alcançar o padrão nacional, que ainda é arriscado em comparação com as diretrizes da OMS", alertou Zhou Rong, da Greenpeace do leste asiático.

Estatísticas recentes do Ministério de Proteção Ambiental da China mostram que as cidades no Delta dos Rios Yangtze e das Pérolas, além da região Pequim-Tianjin-Hebei, sofreram com concentrações de micropartículas entre duas e quatro vezes acima das diretrizes da OMS.

As micropartículas (partículas menores do que 2,5 micrometros) carregam consigo uma diversidade de metais pesados tóxicos, poluentes orgânicos e outros elementos químicos, além de microorganismos, como bactérias e vírus.

Artigo de Fernanda B. Müller, publicado por Instituto CarbonoBrasil

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