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Pilotos alemães recusam-se a participar nas deportações de refugiados

Alegando razões de segurança, os pilotos impediram este ano 222 voos com refugiados deportados da Alemanha com destino ao Afeganistão.
Foto Detlef Trzolek, eTN/Flickr

O partido alemão Die Linke requereu ao governo de Angela Merkel informação sobre o número de voos cancelados por iniciativa dos pilotos que se recusam a participar nas deportações para o Afeganistão. Apesar da violência e instabilidade que se vive naquele país, as autoridades alemãs e europeias consideram-no um “destino seguro” para fazer retornar à força os refugiados a quem é negado o pedido de asilo ou que são integrados no programa de “retorno voluntário”.

Segundo a Deutsche Welle, desde o início do ano foram travados 222 voos entre janeiro e setembro deste ano, mais de metade (140) com origem no aeroporto de Frankfurt. 85 das recusas em transportar refugiados partiram dos pilotos da companhia Lufthansa e da sua subsidiária German Wings.

O porta-voz da Lufthansa, citado pelo Westdeutsche Allegeimeine Zeitung, afirma que “a decisão de não transportar um passageiro é feita em última instância pelo piloto, que avalia a situação caso a caso. Se ele ou ela desconfiar que a segurança do voo pode ser afetada, tem de recusar transportar o passageiro”. Michael Lamberty diz que muitas vezes os pilotos vão falar pessoalmente com o passageiro que vai ser deportado antes da entrada no avião. “Se a segurança dos aeroportos tiverem alguma indicação de que a situação pode complicar-se durante uma deportação, podem decidir não deixar entrar os passageiros”, acrescentou.

A Alemanha é o país que mais acolhe refugiados e recebe pedidos de asilo na União Europeia, tendo processado no primeiro semestre de 2017 mais pedidos de asilo que os restantes 27 países da UE todos somados, segundo o Eurostat. À medida que aumentam as recusas aos pedidos, aumentam também os recursos por parte dos refugiados e os tribunais alemães dão razão em média a um em cada quatro candidatos a asilo. Para poupar nos custos judiciais (19 milhões este ano, segundo a tv pública NDR), a Alemanha abriu um programa em que oferece 3 mil euros a quem vê recusado o pedido, em troca da aceitação da deportação. 

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