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Pedrógão Grande: “Agir com determinação e lucidez corajosa para que não se repita a tragédia”

Intervenção de Catarina Martins na Sessão Evocativa em memória das vítimas na Assembleia da República, em solidariedade com os seus familiares e agradecimento a todos os que, no terreno, combatem o flagelo dos incêndios.

Intervenção de Catarina Martins na Sessão Evocativa em memória das vítimas, hoje na Assembleia da República, em solidariedade com os seus familiares e agradecimento a todos os que, no terreno, combatem o flagelo dos incêndios.

Não conhecemos ainda a total dimensão da tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra, Pampilhosa da Serra, Alvaiázere, Sertã, Penela e Góis. Sabemos já que é insuportável.

Pelas dezenas de pessoas que perderam a vida, pela impotência de todos os meios para lhes valer, por tudo o que foi destruído, pelos feridos a lutar pela vida, por quem procura pelos seus desaparecidos, e porque neste momento ainda arde, há ainda quem seja obrigado a deixar tudo para trás, há ainda quem esteja a combater as chamas.

O choque e a dor são avassaladores. A necessidade de apoiar as vítimas e de debelar o fogo concentram os esforços e a atenção do país. Populações, bombeiros, GNR, INEM, Proteção Civil, todos os que estão no terreno. Devemos-lhes tudo.

Devemos-lhes a solidariedade gratidão respeito. Devemos-lhes solidariedade na dor, na perda, na luta. E a forma como Portugal se organizou para apoiar desinteressadamente é emocionante. Individual e coletivamente, o país está espontaneamente a organizar-se para apoiar bombeiros e populações, dar meios às instituições que acolhem quem teve de abandonar a sua casa, acudir aos animais. Será preciso mais, para acolher no imediato, mas também para reconstruir as vidas e a economia, e o Estado deve começar já essa tarefa.

Devemos-lhes gratidão. Aos bombeiros porque respondem sempre para lá dos limites das suas forças e apesar da insuficiência dos meios. A cada vizinho que ajudou quem estava perto. A cada comunidade que combate as chamas e acorre a quem mais precisa, civis e militares, do pessoal médico aos trabalhadores das autarquias, devemos-lhes gratidão.

Devemos-lhes também respostas. Como foi possível? Como chegámos a uma tragédia destas dimensões? O que falhou? Agora é o tempo da solidariedade e da dor, mas também do compromisso inequívoco de que chegaremos ao tempo das respostas precisas e da responsabilidade rigorosa.

Este não é só um problema do tempo ou do clima. Seguramente condições climatéricas especialmente agrestes colocam problemas de muito difícil resposta. E seguramente que o aquecimento do planeta e as mudanças climáticas nos confrontarão cada vez mais com condições adversas. Mas as questões mais complicadas são as da escolha política: ordenamento do território, desertificação e abandono, modelo de proteção civil, política florestal e o domínio do eucalipto.

Devemos respostas porque devemos respeito. Ser consequentes. Honrar cada vítima deste incêndio e dos tantos incêndios, incêndios demais, impõe-nos agir com determinação e com lucidez corajosa para que não se repita a tragédia.

O Bloco de Esquerda presta homenagem às vítimas da tragédia de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra, Alvaiázere, Sertã, Pampilhosa da Serra, Penela e Góis e agradece a solidariedade nacional e internacional e o incansável trabalho de tantos e tantas que lutam no terreno pela proteção das populações.

 

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