Patrões e sindicatos pressionam Governo para aumentar salário mínimo

19 de março 2013 - 16:16

Numa rara unanimidade entre todos os parceiros sociais, patrões e sindicatos chegaram a acordo para apresentar uma proposta conjunta para pressionar o Governo a negociar o aumento com a troika. Governo não parece disposto a ceder.

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A UGT defende a subida imediata do Salário Mínimo Nacional para os 500 euros, o valor acordado no acordo tripartido de 2006, enquanto a CGTP pretende um aumento até aos 515 euros (para repor uma parte do aumento custo de vida nos últimos anos). //Foto Paulete Matos

 

"Apesar de todos os parceiros dizerem que estão disponíveis para acertar uma posição comum, o Governo decidiu protelar para daqui um mês esta questão", adiantou no final da reunião da concertação social o líder da CGTP. Arménio Carlos acusa mesmo o Governo de estar a "boicotar" o aumento do salário mínimo.

"O grande entrave é o memorando de entendimento que impede o aumento do salário mínimo. Os parceiros estão disponíveis para aferirem em acordo bilateral esse aumento e levar o Governo a rever junto da troika a sua posição", confirmou o presidente da Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva .

O tom geral dos diversos parceiros sociais, da CGTP à Confederação do Comércio, é o mesmo. Existe vontade de todos os intervenientes para desbloquear o congelamento do salário mínimo nacional, cumprindo assim o anterior acordo de concertação social, mas o Governo mantém-se como o principal travão à subida de um salário mínimo cada vez mais degradado.

O Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), considerou mesmo que a reunião desta terça-feira foi  "decepcionante". João Vieira Lopes entende que o entendimento "volta à estaca zero", depois do ministro da Economia ter solicitado que os parceiros sociais apresentem prioridades para uma próxima reunião. “O Governo não é muito claro se há disposição para negociar com a troika”, critica a confederação de comerciantes.

Recorde-se que a UGT defende a subida imediata do Salário Mínimo Nacional para os 500 euros, o valor acordado no acordo tripartido de 2006, enquanto a CGTP pretende um aumento até aos 515 euros (para repor uma parte do aumento custo de vida nos últimos anos). Já o patronato pretende um aumento faseado, incidindo preferencialmento nos sectores mais afetados pela crise ou em contacto direto com a concorrência internacional.

Num aspeto central todos os parceiros sociais estão de acordo: o salário mínimo nacional tem que aumentar em 2013. O próximo passo, dizem, é apresentar uma proposta comum de aumento, a ter lugar ainda este ano e pressionar ainda mais o Governo.