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Partidos catalães fecham listas, concentrações assinalam um mês de prisões políticas

Com os partidos independentistas a concorrerem em listas separadas, a surpresa foi a indicação do presidente da Assembleia Nacional Catalã, na prisão há um mês, como nº2 da lista de Puigdemont.
Em váras cidades catalãs realizaram-se concentrações pela libertação dos presos políticos. Foto Assembleia Nacional Catalã/Twitter

Jordi Sànchez publicou uma mensagem a partir da cadeia de Soto del Real, anunciando ter aceite o convite de Carles Puigdemont para número 2 da coligação Junts per Catalunya, encabeçada pelo líder do governo destituído, atualmente em Bruxelas. Sànchez antecipa assim o fim do seu mandato previsto para o primeiro semestre do próximo ano à frente da Assembleia Nacional Catalã, a associação mais influente na mobilização pela independência da Catalunha.

Fez esta quinta-feira um mês desde a prisão dos dois Jordis - Jordi Sanchèz da ANC e Jordi Cuixart, da Òmnium Cultural. Ao final da tarde houve concentrações de protesto em várias cidades catalãs a reclaram a sua libertação, bem como dos restantes presos políticos.

Listas eleitorais já estão fechadas

Os apelos de Puigdemont a uma lista única dos partidos que sustentavam o seu governo não surtiram efeito, e o PDeCAT, em queda nas sondagens, decidiu não se apresentar em nome próprio, mas numa coligação e com uma lista com muitos independentes.

Por seu lado, os parceiros de Puigdemont no governo destituído apresentaram a lista da coligação Esquerra Republicana - Catalunya Si. Liderada por Oriol Junqueras, líder da ERC e nº 2 do governo atualmente na prisão, a lista conta com os outros ex-governantes do partido e a presidente do parlamento Carme Forcadell. Com Junqueras preso, a secretária-geral Marta Rovira assumirá o protagonismo da campanha.

Também a CUP sufragou esta quinta-feira a composição das listas propostas pela direção do partido, com o atual deputado Carles Riera a liderar a lista por Barcelona. Outra formação a fechar as listas foi a En Comú Podem-Catalunya en Comú, com Ada Colau a ocupar simbolicamente a última posição da lista liderada por Xavier Domènech. Para além do Podemos catalão e do partido da autarca de Barcelona, esta coligação integra partidos como a ICV e a EUiA, reeditando assim a anterior coligação, Catalunya Sí Que Es Pot.

No campo dos partidos apoiantes da aplicação do artigo 155, que deu poderes ao governo para destituir o governo catalão, PP, Ciudadanos e PSC apresentam os seus respetivos líderes, Xavier García Albiol, Ines Arrimadas e Miquel Iceta.    

 

Puigdemont diz que vitória independentista abrirá “nova etapa de diálogo”

“Se ganharmos as próximas eleições, vou propor ao senhor Rajoy, a Juncker e a Tajani aceitar e começar uma nova etapa para o diálogo e a negociação sobre a realidade” saída das eleições, disse Puigdemont numa entrevista conduzida pelo ex-primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, no canal Russia Today.

Puigdemont colocou a hipótese de apelar a António Guterres que interceda nas negociações com o Estado espanhol. “Não há possibilidade de ter êxito neste processo sem uma negociação. Proponho falar disso também com as Nações Unidas”, afirmou o presidente do governo catalão em Bruxelas, antes de voltar a desafiar o governo espanhol e a Comissão Europeia a clarificar se aceitarão os resultados das eleições, em caso de vitória independentista.

 

Comentários

Depois da Justiça de Espanha, tereis de prestar contas aos "catalães", pelos males que lhes estais a causar. Um dia, a Catalunha será "livre" e "independente" de... "traidores" e "vendedores da banha da cobra".

Se os algarvios decidissem referendar o Algarve e depois fossem presos seriam considerados presos políticos ou presos como traidores à Pátria?
Decreto-Lei nº 48/95 de 15-03-1995
CÓDIGO PENAL
LIVRO II - Parte especial
TÍTULO V - Dos crimes contra o Estado
CAPÍTULO I - Dos crimes contra a segurança do Estado
SECÇÃO I - Dos crimes contra a soberania nacional
SUBSECÇÃO I - Dos crimes contra a independência e a integridade nacionais
Artigo 308.º - Traição à pátria
Quem, por meio de violência, ameaça de violência, usurpação ou abuso de funções de soberania:
a) Tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira, todo o território português ou parte dele; ou
b) Ofender ou puser em perigo a independência do País;
é punido com pena de prisão de 10 a 20 anos.

A "mãe-pátria" dos algarvios (ou minhotos ou alentejanos...) é a mesma de todos os restantes portugueses, nenhum algarvio diz que não se sente português, etc., daí essa disposição do código penal português.
Em Espanha, que é um albergue de várias nacionalidades, com línguas e história diferentes, a situação é completamente distinta. Não queira confundir, comparando o incomparável.
De qualquer modo, acho curiosa essa insistência com o Algarve, por parte de muitos adeptos das teses espanholas. Será por acaso que o Rei de Espanha ainda ostenta nos seus títulos o de "Rei do Algarve"?

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