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Parlamento vai discutir resgate público da concessão dos CTT

Após uma reunião com representantes dos trabalhadores dos CTT sobre a degradação do serviço por parte da empresa, José Soeiro anunciou que o Bloco vai propor a recuperação da gestão pública para garantir o serviço público postal.
Foto Paulete Matos

Uma das prioridades da iniciativa legislativa do Bloco no próximo período é “recuperar o controlo da gestão pública desta empresa”, afirmou José Soeiro após a reunião com representantes dos trabalhadores dos CTT. Essa é uma possibilidade prevista no contrato de concessão, “nomeadamente se a empresa estiver a incumprir as obrigações com que se comprometeu nesse contrato”, acrescentou o deputado.

“A própria Anacom já aplicou três multas à empresa, por considerar nos seus relatórios que a empresa não está a respeitar os mínimos acordados com o Estado. Isso é razão suficiente para os Estado resgatar esta empresa e resgatar a concessão do serviço”, defendeu o deputado bloquista.

Reunião dos trabalhadores dos CTT com o grupo parlamentar do Bloco.

“Uma empresa que no ano passado teve lucros de 62 milhões e distribuiu dividendos no valor de 72 milhões, significa que se está a descapitalizar a empresa”, prosseguiu José Soeiro, apontando a “lógica de curto prazo de uma administração que só tem interesse no banco e que está a degradar completamente todas as outras valências de serviço público, como a distribuição de correio e encomendas”.

“Ao mesmo tempo que não cumpre as obrigações de serviço público, a administração vai concessionando alguns dos giros de distribuição a empresas privadas. Isto é inaceitável”, defendeu José Soeiro, acrescentando que a degradação do serviço de correios “é vivida e sentida por todos os utentes e por autarcas de todos os partidos”.

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Para além da gestão que tem “esvaziado a empresa”, Soeiro acusou a administração privada de “desrespeito pelos direitos dos trabalhadores” e de utilizar “critérios muito questionáveis” para as rescisões em curso: “Está a escolher trabalhadores que tiveram acidentes de trabalho e que por isso têm algum condicionamento na execução de determinadas tarefas, para se libertar desses trabalhadores, o que é chocante”.

“Há pessoas a esperarem 15 dias por uma carta. Isto nunca aconteceu nos CTT antes da privatização”

As preocupações com a qualidade do serviço e com o futuro dos CTT preencheram a reunião desta terça-feira entre o grupo parlamentar do Bloco e membros da Comissão de Trabalhadores da empresa e dos sindicatos Sincor e Sindetelco, em que participou a coordenadora bloquista Catarina Martins.

Em declarações à imprensa, José Rosário, da Comissão de Trabalhadores, referiu-se também à queda da cotação da empresa na bolsa. “Os resultados da empresa baixaram significativamente. Não as receitas, mas os resultados, porque os custos têm vindo a disparar. No nosso entender isso é devido à má gestão por parte dos privados que detêm a empresa e que estão a pôr em causa o serviço público”, afirmou.

Lembrando que “desde 2008 não há contratação para as áreas operacionais” dos CTT, José Rosário descreveu o quotidiano de uma empresa em que “cada vez há mais acidentes de serviço, os ritmos de trabalho são cada vez maiores”, concluindo que “é impossível garantir que tenhamos uma rede de pessoas no terreno que consiga garantir o serviço público de correios”.

“Há pessoas a esperarem horas nas estações de correios, há pessoas a esperarem 15 dias por uma carta. Isto nunca aconteceu nos CTT, só começou a acontecer depois da privatização”, apontou o membro da CT dos CT.

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Neste momento, os CTT estão a propor rescisões a centenas de trabalhadores, dirigidas aos funcionários mais antigos e aos que tiveram acidentes de trabalho que condicionam o desempenho das tarefas. “A empresa fala em 400 pessoas, nós achamos que é muito mais do que isto”, disse o membro da CT, acrescentando que o caminho a seguir devia ser o inverso: “Precisamos urgentemente de gente nas áreas operacionais, de distribuição, transporte e atendimento, mas a empresa está apostada na redução de pessoal”, lamentou.

Para inverter “o caminhar galopante da perda de qualidade de serviços por falta de trabalhadores” desde a privatização dos CTT, “a única forma de alterar isto é o Estado voltar a ter o controlo da empresa”, defendeu José Rosário.

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