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Parlamento catalão responde quinta-feira ao artigo 155

A maioria parlamentar pró-independência convocou o plenário para responder à decisão de Madrid. Sondagem indica que independentistas mantêm a maioria em caso de novas eleições.
Foto annaescala2/Twitter

A maioria que suporta o governo de Carles Puigdemont, formada pela coligação Junts Pel Sí (PDECat e ERC) e a CUP, decidiu convocar um plenário do parlamento para a próxima quinta-feira, tendo em vista dar uma resposta à decisão do governo espanhol de ativar o Artigo 155 da Constituição, que significa a suspensão da autonomia das instituições catalãs, com a dissolução do parlamento e a tomada do controlo por parte do governo espanhol dos meios de comunicação públicos e da polícia catalã.

Um dos desfechos possíveis deste plenário é o levantamento da suspensão da  declaração de independência aprovada após o referendo de 1 de outubro. No dia seguinte, reunirá o Senado espanhol para votar a aplicação do artigo 155. “Denunciamos a posição de direita extrema do PP, a do PSOE que é a mesma, o anticatalanismo do Ciudadanos e a do PSC, que terá de escolher entre o PSOE ou defender as instituições catalãs, entre a democracia e o que defende o overno, e decidir se está ao lado do partido ou do país”, afirmou esta segunda-feira o líder parlamentar do Junts pel Sí, Lluís Corominas.

“Não somos propriedade nem do monarca Borbón como súbdito, nem propriedade nem escravos do presidente Rajoy. Decidiremos o que quisermos ser, sempre democraticamente”, prosseguiu o dirigente independentista, citado pelo El Periódico.

Sondagem mantém apoio aos independentistas

O barómetro do Gabinet d'Estudis Socials i Opinió Pública (GESOP) para o El Periódico indica que a relação de forças eleitoral na Catalunha se mantém quase inalterada desde as eleições de 2015. Embora as perguntas tenham sido colocadas antes de Rajoy anunciar a suspensão da autonomia, o resultado já reflete as últimas semanas de tensão, com a realização do referendo, a declaração suspensa da independência e a prisão de dois líderes do movimento social independentista.

Nas estimativas de voto, a Esquerda Republicana Catalã aparece à frente com 28.1% dos votos, seguida pelos Ciudadanos com 16.8% (menos um ponto que em 2015), o PSC com 14.5% (mais dois pontos), o PDECat com 12%, o Catalunya en Comú com 9% (mais 0.1), a CUP com 7.8% (menos 0.4) e o PP com 7.5% (menos um ponto). ERC e PDECat foram juntos às eleições de 2015, somando 39.4%, e nesta sondagem a soma dos dois partidos dá 40.1%. Somando esta percentagem com os 7.8% da CUP, o bloco independentista alcança a maioria absoluta mas fica uma vez mais aquém dos 50% das intenções de voto.

O barómetro conclui que a distribuição de mandatos traria poucas alterações à atual composição do parlamento catalão, com as maiores mudanças a terem lugar no campo da oposição, em que os socialistas ganhariam 4 a 5 deputados, à custa dos Ciudadanos e do PP.

O mesmo barómetro também inquiriu a opinião dos catalães sobre a aplicação do artigo 155, a reforma da Constituição e a declaração imediata da independência. Na primeira questão, mais de dois terços dos inquiridos manifestaram-se contra a suspensão da autonomia, um sentimento maioritário mesmo entre os que se declaram não-independentistas. Também mais de dois terços dos inquiridos apoiam uma reforma da Constituição. A questão que mais divide os catalães é a hipótese de ser declarada já a independência, com 55.6% a declararem-se contra. Mesmo entre os que se dizem independentistas, 18.2% recusam a declaração imediata, avança o barómetro com questões colocadas em 800 entrevistas realizadas entre 16 e 19 de outubro.

Comentários

Atenção, estes números confirmam que 48% dos catalães iriam votar em partidos abertamente independentistas e 39% votariam em partidos abertamente anti-independentistas (embora no caso do PSC, com 14-15%, sejam federalistas e portanto queiram um reforço da autonomia catalã). Os 9% do Catalunya en Comú dividem-se entre federalistas (a maioria) e independentistas.
Logo, é lícito concluir que metade dos catalães deseja a independência, cerca de 1/4 quer um estado federal (igualmente negado por Madrid) e apenas o outro quarto deseja que se mantenha o status quo.
E, atenção, esta sondagem foi encomendada por um jornal próximo do PSC e ferrenhamente anti-independentista.

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